Presidente da Bolívia vem ao Brasil, visita Lula e ignora Bolsonaro

No Brasil, o presidente da Bolívia visita o ex-presidente, se reúne com economistas e visita comunidade boliviana
Lula e Luis Arce, presidente da Bolívia / Foto: Ricardo Stuckert
Lula e Luis Arce, presidente da Bolívia / Foto: Ricardo Stuckert

Nesta segunda (5), o presidente da Bolívia, Luis Alberto Arce Catacora, veio ao Brasil. A visita faz parte de uma agenda internacional que tem sido cumprida desde 2021, mas não está entre os planos de Luis Arce se reunir com Jair Bolsonaro. No país, o presidente se reuniu com economistas brasileiros, com o ex-presidente Lula e com a comunidade boliviana.

Ao chegar ao Brasil, o primeiro evento que Arce participou foi de um encontro com economistas brasileiros. Nele, o presidente defendeu o modelo econômico boliviano e criticou o neoliberalismo. O atual projeto econômico boliviano, implementado pelo antecessor Evo Morales, se apresenta como uma alternativa para o modelo neoliberal. Na ocasião, Arcre era Ministro da Economia.

“O modelo neoliberal não tem alma, nem corpo ou essência de sociedade. Não tem a preocupação de resolver os problemas sociais, por isso colocamos no nosso projeto o nome de modelo econômico social. (…) Nossa intenção é resolver o problema da comunidade, não de um grupo, não de alguns”. (Luis Arce)

No discurso entre os economistas, Arce defendeu o Estado. Para o presidente, o interesse em desenvolver o país parte do Estado, não do mercado. O neoliberalismo, que defende a redução do corpo estatal, é considerado insuficiente na tarefa de distribuição de riquezas internas, uma vez que seu foco é na exportação. Para o modelo boliviano, o Estado deve garantir que o país deixe de entregar seus recursos naturais.

Depois dareunião, o presidente da Bolívia foi ao encontro do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva. Em um hotel de São Paulo, os dois conversaram sobre a entrada do país vizinho no Mercosul. A entrada do país boliviano na união aduaneira apenas depende do congresso brasileiro. Fazendo parte do Mercosul, a Bolívia poderia usufruir das vantagens dos países-membros, como o livre trânsito de pessoas e mercadorias. Lula garantiu que, se eleito, trabalhará para acelerar a integração da Bolívia no bloco.

Celso Amorim, o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula defendeu que a Bolívia no Mercosul também ajudará o Brasil na sua política exterior. Como membro da Comunidade Andina, o país boliviano facilitaria nosso contato com a comunidade que está sendo reforçada agora.

Foto: Reprodução / Twitter
Foto: Reprodução / Twitter

Por último, Arce visitou a comunidade boliviana na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Brás. Em redes sociais, o presidente agradeceu o carinho com que foi recebido pelos bolivianos no Brasil. Sublinhou também o seu compromisso de seguir trabalhando para melhorar as condições de vida dos compatriotas que que vivem no exterior.

COMENTÁRIOS

POSTS RELACIONADOS

Sítio de Ricardo Nunes em São Paulo fica em loteamento irregular

Prefeito de São Paulo tem 13 lotes em Engenheiro Marsilac, na APA Capivari-Monos, mas apenas quatro estão em seu nome; De Olho nos Ruralistas iniciou série sobre o poder em São Paulo, “Endereços”, contando que ele não tem o hábito de pagar o Imposto Territorial Rural

Maria da Conceição Tavares

Era assim Conceição Tavares: trovejava e relampejava, parecia uma alucinada às vezes, mas se mostrava cuidadosa e ponderada nos momentos críticos

Quem vê corpo não vê coração. Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental na classe trabalhadora.

Desigualdade social e doença mental

Quem vê corpo não vê coração.
Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental. Sobre como a população pobre brasileira vem sofrendo com a fome, a má distribuição de renda e os efeitos disso tudo em nossa saúde.

Cultura não é perfumaria

Cultura não é vagabundagem

No extinto Reino de Internetlândia, então dividido em castas, gente fazedora de arte e tratadas como vagabundas, decidem entrar em greve.