Piripkura, os últimos “Borboleta”

por Adelino Mendez*

De 1970, até hoje, o que foi destruído na Amazônia já não seria o suficiente para ter “melhorado” a vida da população? A destruição do meio ambiente jamais resolveu problemas socioeconômicos, pelo contrário. A devastação das últimas porções intactas da floresta amazônica e o latifúndio, são parceiros inseparáveis, dilatando os abismos sociais, empobrecendo e escravizando a população amazônida. 

A desinterdição das terras dos últimos “Borboleta”, os Piripkura, que se aproxima, é a prova maior que seguimos no caminho errado. Uma pequena porção de floresta no Noroeste do Mato Grosso, que abriga o verdadeiro Eldorado. Dois homens, tio e sobrinho, o que restou de um povo que em sua última tentativa de sobrevivência, esforçam-se para manter seu modo de vida imemorial, evitando um “contato” sistemático com o Estado. 

É isso o “Marco Temporal”?? Estariam estes indígenas nestas terras antes de 05 de outubro de 1988?? 

O Brasil é um país ridículo. Logo não teremos mais Piripkura, e nem borboletas. 

*Antropólogo doutorando no programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ – HCTE). Mestre em Antropologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP). Graduado em Ciências Sociais pelo Instituto de Humanidades do IUPERJ (IUPERJ). Licenciado em Sociologia e Filosofia pelo Instituto de Humanidades do IUPERJ (IUPERJ).

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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