Pataxó é assassinado após ato de apoio a Lula: Indígenas acreditam em crime de ódio

A comunidade indígena Pataxó acredita que a morte, em Santa Cruz Cabrália no Sul da Bahia, tenha motivos políticos
O indígena Pataxó, Wellington Barreto de Jesus, foi assassinado em Santa Cruz Cabrália. (O rosto dos outros indivíduos foi ofuscado para preservar sua privacidade)

Na noite de quinta-feira (29), um indígena Pataxó foi brutalmente assassinado a tiros em Santa Cruz Cabrália, no Sul da Bahia. A vítima se chamava Wellington Barreto de Jesus, era casado e tinha três filhos.

Por Raquel Tiemi

Em depoimento aos Jornalistas Livres, o cacique Zeca Pataxó relata que, no dia do ocorrido, a comunidade estava realizando uma caminhada em apoio aos políticos Jerônimo Rodrigues (PT), candidato a governador da Bahia, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à presidência, em Coroa Vermelha às margens da BR 367. Durante todo o ato político, que envolvia indígenas e não-indígenas, o cacique ressalta a presença de bolsonaristas proferindo discursos de ódio. Nesse momento, Wellington estava em seu trabalho, próximo ao local da manifestação petista, e testemunhas relataram um breve desentendimento de caráter político com um homem desconhecido em torno das 16h30. 

A passeata acabou por volta das 17h. Uma hora e meia após o término do evento político, um homem encapuzado abordou o indígena Pataxó em frente de seu local de trabalho e disparou 5 tiros fatais. O cacique Zeca Pataxó informa que o assassinato ainda está sob averiguação, mas, devido à sequência dos acontecimentos e à irritação dos bolsonaristas, a comunidade indígena acredita que o crime tenha motivos políticos

De acordo com a Polícia Civil local, os tiros atingiram as costas, o pescoço e perto da orelha de Wellington. O caso ocorreu quando a vítima estava no ponto de táxi na Rua Geraldo Scaramussa no bairro Campo Verde. Testemunhas afirmam que o autor do crime estava com uma bicicleta e fugiu após atirar contra o indígena Pataxó. Ainda não se sabe a identidade do criminoso.

A Delegacia Territorial (DT) de Santa Cruz Cabrália, encarregada pela investigação do crime, utilizará imagens de câmeras de videomonitoramento para a apuração. A Secretaria de Assuntos Indígenas de Santa Cruz Cabrália, em depoimento sobre o caso, declara ter conhecimento sobre o crime e lamenta a morte.  

Povo indígena Pataxó sob ataque

De acordo com o relatório CIMI (Conselho Indigenista Missionário) sobre Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil com dados de 2021 e lançado em agosto de 2022, Bahia é o segundo estado com mais assassinatos de indígenas do país. Além disso, ainda segundo o levantamento, o povo Pataxó está entre um dos mais agredidos com o avanço criminoso de invasores de suas terras. No relatório, 14 assassinatos foram contabilizados na Bahia em 2021. 

O cacique Pataxó ainda afirma que, durante esse período de eleições, o ambiente ficou mais preocupante, uma vez que reações a opiniões políticas divergentes têm resultado em muita violência. Hoje (30), a comunidade indígena na Aldeia Coroa Vermelha está de luto pelo assassinato brutal de Wellington Barreto de Jesus.

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