Para atacar MST, Globo defende plantação de eucalipto, uso de agrotóxico e escassez da água

Emissora dedicou mais de cinco minutos no principal jornal para defender empresa de papel e celulose que não cumpriu acordo com os Sem Terra
Foto: Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

O Jornal Nacional, principal jornal da Rede Globo, dedicou mais de cinco minutos na edição do último quinta-feira (02) para atacar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que no início da semana ocupou três áreas da empresa Suzano Papel e Celulose na Bahia para denunciar a destruição ambiental e outros perigos da monocultura de eucalipto. 

De acordo com a emissora, os espaços ocupados cumpriam função social por ser uma área de monocultura de eucalipto, mas o Movimento defende que função social é quando os retornos são destinados à região e sua população e não às empresas estrangeiras.

“Se produz para quem? E pra quê? Para cumprir o interesse do capital financeiro internacional. Porque a função social, que a gente entende, é produzir alimento para a população, gerar renda no município e não agredir o meio ambiente. Se isso não acontece, tem dificuldade de cumprir com a função social. Então por esse motivo essas áreas que não cumprem o seu papel social são passivas sim de ocupação”, defende Evanildo Costa, da Direção Nacional do MST na Bahia. 

Além disso, o MST  reivindica o cumprimento de um acordo firmado há mais de 10 anos, em 2011, com a Suzano para que a empresa cedesse terras para o assentamento de 650 famílias, o que não foi cumprido. Apenas 200 famílias foram contempladas em mais de uma década. 

“Mais de 400 famílias ainda estão espremidas dentro dos acampamentos existentes aguardando esse acordo não foi cumprido”, pontua o dirigente do MST. 

As ocupações aconteceram em Teixeira de Freitas, Mucuri e Caravelas, na Bahia, com cerca de 1.550 militantes do Movimento, e teve como intuito chamar a atenção para os problemas enfrentados pelos moradores da região que sofrem com a crise hídrica causados pela produção em grande escala de eucalipto, a pulverização aérea de agrotóxicos nas área dos monocultivos, o assolamento e secagem dos rios e nascentes, e a destruição da flora e fauna da região.

O êxodo rural já se tornou uma realidade nas cidades com plantação de eucalipto, informou o MST. A saída das famílias da região acontece porque o uso intensivo de agrotóxicos pela empresa prejudica as poucas áreas cultivadas pelas famílias camponesas que vivem ao redor das monoculturas do eucalipto. 

“O território do Extremo Sul da Bahia, vem amargando nas últimas três décadas, a expansão do monocultivo de eucalipto, hoje controlada pela multinacional Suzano Papel e Celulose, que somente no 3º semestre de 2022 lucrou 5,44 bilhões de reais, com a venda de celulose e papel que ultrapassou as marcas de 2,8 e 311 milhões de toneladas, respectivamente”, informa nota do Movimento. 

De acordo com o MST na Bahia, os estragos causados pelas plantações de eucalipto em larga escala atingem todas as pessoas da região que são envenenadas com a contaminação do solo, das águas e do ar, que são empurradas para as periferias das cidades e beiras de estrada, e que vivem na vulnerabilidade social já que não conseguem mais plantar.

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