O que podemos aprender com os 200 anos da Vitória de Carabobo na Venezuela

Luta contra o imperialismo na Venezuela inspirou mobilizações em todo o mundo. País sediará o Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo
Batalha de Carabobo, na Venezuela
Batalha de Carabobo, na Venezuela

Cinco mil patriotas e um pequeno batalhão de soldados britânicos derrotaram 7 mil espanhóis naquele 24 de junho de 1821, que futuramente ficou conhecido como o Dia da Vitória da Batalha de Carabobo. Comandada por Simón Bolívar, esta foi a principal batalha pela independência da Venezuela. 

Por Juliana Medeiros e Martha Raquel, dos Jornalistas Livres

A ação coordenada e seguindo a estratégia de duplo ataque, pela frente e pelas costas, trouxe à Venezuela a vitória contra o império espanhol. O episódio, considerado hoje o passo mais importante e definitivo para a expulsão dos imperialistas do território da Venezuela, trouxe fim a campanha libertadora iniciada mais de 10 anos antes. Vitória que, é bom que se diga, é parte indissociável da idiossincrasia venezuelana, um orgulho nacional compartilhado por cada cidadão.

Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo

“Eu tenho certeza que 2021 também será mágico. Nos veremos em Carabobo, celebrando o 200º aniversário da batalha Bolivariana, a maior batalha da nossa história”, declarou Hugo Chávez, na época presidente da Venezuela, no final de 21/06/2004, em Valência. 

A Venezuela sediará neste mês de junho o Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo e para isso vem realizando uma série de videoconferências. No último 26 de março, o encontro virtual contou com a presença do presidente Nicolás Maduro que falou para mais de 2.000 ativistas, intelectuais e líderes, bem como personalidades do mundo acadêmico.

Com a presença de lideranças como Atilio Borón, Fernando Buen Abad, Sheri Dickerson (Black Lives Matter), Mônica Valente (PT) e representantes de movimentos sociais internacionais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Maduro declarou:

“Este Congresso é um marco dos 200 anos da Batalha de Carabobo, que culminou com uma jornada de 12 anos de guerra de libertação de nossos povos, liderada pelo nosso libertador Simón Bolívar juntamente a um exército composto pelo povo”, disse Nicolás Maduro no anúncio do Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo. 

Maduro frisou ainda que esse é “o momento em que dentro da Revolução Bolivariana, por ocasião dos 200 anos da Batalha de Carabobo, consideramos a construção de uma força super social e popular que levante a Venezuela, que eleve o espírito nacional e que nos permita renovar toda a política da Revolução Bolivariana, nos permitindo enfrentar e superar todos os problemas”.

O Congresso Bicentenário dos Povos consolida-se portanto como estratégia unificadora dos diversos movimentos sociais, tanto do território nacional, quanto oriundos de outros países, que desejam contribuir para a recuperação do país caribenho, em face do bloqueio e das sanções penais contra o povo venezuelano.

Entre os que participaram da videoconferência, o sociólogo argentino Atilio Borón destacou a importância de reunir pessoas que em seus países lutam pelos ideais de justiça, igualdade, fraternidade e independência, neste momento em que a ofensiva imperialista se tornou mais agressiva, especialmente contra a América Latina.

A construção do congresso, com representantes de diversas áreas de 120 países, reforça o caráter coletivo, solidário e democrático dos processos venezuelanos. A Venezuela trava, ainda hoje, uma batalha histórica contra o imperialismo que aplica bloqueios, embargos e sanções contra o país e seus aliados. 

Mais de 7 milhões de pessoas de todo o mundo manifestaram sua vontade de participar dos encontros preparativos para este congresso e ajudar a construir coletivamente a agenda política dos próximos 10 anos, a partir da ideia de recuperação e defesa do país contra a ameaça de bloqueio e sanções penais impostas pelo Governo dos Estados Unidos e seus aliados.

Diferentes visões, realidades e vivências formaram as contribuições que serão discutidas em Caracas entre os dias 21 e 24 de junho. Mulheres, jovens, indígenas, negras e negros, além de ambientalistas e comunicadores somaram esforços no preparativo do marco anti-imperialista.

Reunião de forças contra a agressão imperialista

A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o impacto negativo de medidas coercitivas unilaterais nos direitos humanos, Alena Douhan, declarou recentemente que as sanções dos Estados Unidos têm efeitos devastadores em áreas como alimentação, saúde e educação da  Venezuela. 

Ela instou a todos os países que aplicam sanções à  Venezuela, como EUA, Portugal e Reino Unido, que derrubem essas restrições imediatamente, para garantir à população acesso a alimentação, medicamentos e vacinas contra a covid-19.

A Venezuela tem um povo consciente de sua soberania e independência, nunca disposto a se ajoelhar diante do imperialismo, e somente isso ajudou o país a não sucumbir diante das sanções, combinadas com o grave quadro da pandemia.

Além disso, desde 2018, o governo  venezuelano denuncia a existência de campos de treinamentos de mercenários na Colômbia com o objetivo de invadir a  Venezuela. 

A Batalha de Carabobo ensinou que é preciso unidade na luta contra o capitalismo selvagem e o neoliberalismo que destrói diariamente a vida de milhões de pessoas. É preciso somar forças dos movimentos sociais e dos governos populares de todo o mundo para  combater a ameaça que se fecha sobre a humanidade, como lembrou o escritor e analista político argentino, Atilio Alberto Borón, durante o lançamento do Congresso. 

“É muito importante este esforço de coordenação porque, infelizmente, nossos inimigos, nossos representantes da opressão, da ditadura do capital, das mentiras midiáticas, do lawfare estão perfeitamente organizados no plano internacional”, finalizou o analista político. 

Os Jornalistas Livres estarão presentes na cobertura desse Congresso Bicentenário dos Povos. Em um momento em que todo o continente latinoamericano está sob ataque, é de suma importância que todos que valorizam a soberania e autodeterminação dos povos, acompanhem o processo de construção desse congresso e o exemplo de resistência venezuelana nesse cenário. 

COMENTÁRIOS

    • “Diferentes visões, realidades e vivências formaram as contribuições que serão discutidas em Caracas entre os dias 21 e 24 de junho” <– 🙂

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