O LENÇOL ESCRAVOCRATA DO AGRO É TOALHA DE MESA DO GOLPE

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A abolição e denuncia do trabalho escravo que insiste, imagens que não querem sair de cena em tempos de golpe. ©João Roberto Ripper

Quem imaginaria dez anos atrás que hoje estaríamos novamente falando do significado de trabalho escravo ou pensando em futuras alforrias? O trabalho escravo que aproximou índios e pretos, os negócios no campo e toda a costura política de favores e benefícios políticos na configuração da turma liberal .

O professor Alfredo Bosi, certa vez, em texto no final da década de 80 sobre os meandros da escravidão no Brasil, aventou como se  estabeleceu a palavra liberal em nosso meio pela história:

Uma análise semântico-histórica aponta para quatro significados do termo, os quais vêm isolados ou variamente combinados:

1) Liberal, para a nossa classe dominante até os meados do século XIX, pôde significar conservador das liberdades,conquistadas em 1808, de produzir, vender e comprar.

2) Liberal pôde, então, significar conservador da liberdade, alcançada em 1822, de representar-se politicamente;ou, em outros termos, ter o direito de eleger e de ser eleito na categoria de cidadão qualificado.

3) Liberal pôde, então, significar conservador da liberdade (recebida como instituto colonial e relançada pela expansão agrícola) de submeter o trabalhador escravo mediante coação jurídica.

4) Liberal pôde, enfim, significar capaz de adquirir novas terras em regime de livre concorrência, alterando assim o estatuto fundiário da Colônia no espírito capitalista da Lei de Terras de 1850. ,

…Analisando a conduta autodefensiva dos liberais, comentava Saint-Hilaire no ano em que se fazia a Independência:

“Mas são estes homens que, no Brasil, foram os cabeças da Revolução; não cuidavam senão em diminuir o poder do Rei, aumentando o próprio. Não pensavam, de modo algum, nas classes inferiores”

Agora, na segunda década do XXI, o Brasil foi notícia em várias manchetes e advertido em várias instâncias internacionais  durante a semana passada. Os elos das correntes que nos prendem não apontam para o futuro, mas no ferro querem nos marcar. Entre velhos grafismos estampados em nossas cavernas e o DNA colonialista de nossa economia, onde o Agro dá as cartas nas transações de governo e o comando restringe todos investimentos em ciência e cultura necessários, Temer e os seus parceiros de latifúndios querem redefinir a palavra escravidão e trabalho, educação e saúde.

Não iremos em direção ao espaço sideral ou andaremos em carros voadores, elétricos, tudo nos direciona ao passado agora. Para  o país querem as liteiras de volta, enquanto a soja germina no campo. Venderão praias, parques e reservas, ensaiam mazelas ao futuro. Irão ensinar o índio a pescar e plantar. No quilombo farão grandes condomínios. O aquífero será todo tragado pois a sede de poder dessa gente não tem sertão.

O jornalismo não irá calar-se, segue denunciando e unindo, queremos o futuro, os humanos, a democracia e um planeta Terra para viver.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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