Nenhum Plínio a menos

A morte de Plínio foi resultado de preconceito: ele, jovem negro e gay, apenas andava pela avenida mais importante da cidade com seu companheiro.

Neste domingo, (23/12), um grupo de pessoas se concentraram na esquina da Av. Paulista com a Av Brigadeiro Luís Antônio para realizar uma vigília em homenagem à Plínio, morto enquanto voltava do parque do Ibirapuera com seu noivo e amigos nesta última sexta (21).

A morte de Plínio foi resultado de mais uma ação violenta, homofóbica e racista: ele, jovem negro e gay, apenas passeava pela avenida mais importante da cidade com seu companheiro e amigos.

Homenagem deixada em uma das esquinas do cruzamento Foto: Lucas Martins / Jornalistas Livres

Essa cena já é, há bastante tempo, uma das mais comuns no local: casais de gays, lésbicas, trans, negras, elegeram a Paulista como um dos pontos mais legais para passear.

Mas para Plínio e o noivo, a Paulista foi palco do pior lugar para um lazer: eles, de mãos dadas, “chamaram a atenção” de dois homens, que comecaram a provocá-los.

Sem aceitar xingamentos e provocações homofóbicas, o casal resolveu responder de maneira verbal e isso foi suficiente para fossem atacados. Plínio foi esfaqueado, não resistiu ao golpe e faleceu.

Mesmo sendo a avenida que recebe uma das maiores paradas gays do mundo, vendida como espaço seguro, a Paulista já teve outros casos de violência contra gays. O mais famoso é caso da “lâmpada”. Um jovem gay que andava pela calçada foi morto com golpes de lâmpada no crânio.

A vigília de hoje foi chamada ontem pelas redes sociais. Até a noite de sábado, o caso teve pouco repercussão e demorou a ser tratado como crime de homofobia.

O grupo que organizou e fez a montagem Foto: Lucas Martins / Jornalistas Livres

A organizadora do ato, a estudante, Andreza Delgado, explica a motivação para convocá-lo: “uma afronta, não é? Um dos poucos espaços que a gente consegue circular na cidade e isso acontecer, do jeito que aconteceu e o que está acontecendo no Brasil, essa onda conservadora. O quanto esse discurso do Bolsonaro, ele legitima muita violência. É doloroso.”

Por volta das 13h pessoas que apareceram se reuniram em uma das quatro esquinas do cruzamento. Ali, se reconhecendo pelos portes de cartazes e flores, começaram a preparar o monumento em homenagem à Plínio.

“Memorial” para Plínio Foto: Lucas Marins / Jornalistas Livres

Algumas outras pessoas que andavam pela avenida, se juntaram aos manifestantes para homenagear Plinio.

Plínio, presente!

TRÊS DEPOIMENTOS DE MANIFESTANTES QUE ESTIVERAM NO ATO NA AVENIDA PAULISTA ORGANIZADO EM HOMENAGEM A PLÍNIO

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2 comentários:
  • Paulo Só
    24 dezembro 2018 at 13:34
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    Até quando a crueldade mandará no Brasil?
    Até quando ficaremos de braços cruzados e só as lágrimas marcarão a revolta?
    Será que esse país é definitivamente deles?

  • mariana
    2 janeiro 2019 at 22:03
    Comente

    não houve depoimento do noivo dele?

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