NAKBA: 73 anos de resistência palestina  

As agressões do ocupante sionista são parte da Nakba, palavra árabe que significa tragédia, e designa os eventos sinistros que se sucederam após a fundação do chamado estado judeu de Israel, em 1948.

Estamos assistindo estarrecidos a escalada de violência, bombardeios com destruição e mortes por parte de Israel nos territórios da Palestina ocupada.

Por Sayid Marcos Tenório

As agressões do ocupante sionista que vêm ocorrendo neste mês de maio de 2021, são parte da Nakba. A palavra árabe significa tragédia e designa os eventos sinistros que se sucederam após a fundação do chamado “estado judeu” de Israel, em 15 de maio de 1948.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do “estado judeu”, mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos e inúmeras cidades esvaziadas.

Quando a primeira Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica. Restaram apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente.

Na agressão de 1967, Israel avançou sobre os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida. E não parou mais, seu objetivo final é a completa desenraização e destruição da Palestina.

A simetria com a Nakba

É gritante a simetria dos acontecimentos de 1948 com o que estamos assistindo atualmente na cidade sagrada de Jerusalém. Colonos judeus-sionistas de extrema-direita, apoiados pelas forças militares da ocupação estão atacando o Bairro Sheikh Jarrah. Ali, praticam invasões, saques, incendeiam terras agrícolas, promovem violência e apropriações ilegais de propriedades.

Uma das cenas mais dantescas foi a dos colonos judeus-sionistas racistas atacando e jogando bombas no interior da sala de oração, lotada de palestinos, na Mesquita Al-Aqsa. Local sagrado para mais de 2 bilhões de muçulmanos em todo o mundo e em pleno período do sagrado mês do Ramadã.

Nesta situação de permanentes agressões, o povo palestino não tem escolha a não ser resistir à ocupação e as investidas opressivas contra a terra palestina, seu povo, recursos e lugares sagrados.

Porém, a esperança dos palestinos na vitória cresce a cada agressão. Já é possível notar que o equilíbrio de forças mudou.

Houve um dia em que o jovem palestino se defendia atirando pedras. Hoje, responde ao inimigo lançando mísseis de precisão, como o Ayyash 250-K. Artefatos desenvolvidos e fabricados graças a assistência do chamado “eixo da resistência”, uma frente de luta anti-imperialista formada pelo Irã, Hezbollah libanês, Síria e forças da resistência iraquiana.

O eixo da resistência

Apesar das diferenças de condições militares com a enorme superioridade israelense, o inimigo sionista fica mais fraco a cada ano. Hoje sabe-se que o exército que se apresentava como um “exército nunca derrotado”, não passa de um
exército que não verá mais a cor de vitória. Sobretudo após as experiências da Guerra dos 33 Dias no Líbano e das guerras recentes com enfrentamentos diretos da resistência em Gaza.

Como é notório, os crimes de Israel são acobertados pelos Estados Unidos, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos Estados Unidos entra governo e sai governo e a política em relação a Israel é sempre a mesma.

Após as recentes agressões, o “democrata” Joe Biden, fiel representante do lobby judaico das armas e bancos, apressou-se em declarar que Israel tem o direito de se defender. Certamente sugerindo que os palestinos não têm o mesmo direito, porque para o imperialismo os palestinos não têm direito algum.

No entanto, e apesar das constantes agressões e violações de Israel e mesmo sabendo que resistir ao imperialismo e ao sionismo tem um elevado custo do ponto de vista humano, social e econômico, o povo palestino continua resistindo bravamente para proteger suas terras e seus ancestrais.

A luta por Jerusalém será até a vitória definitiva, que é a conquista da Palestina Livre, do Rio ao Mar.

O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir a ocupação sionista, ao apartheid e à limpeza ética, com todas as medidas e métodos possíveis.

É legítima a reação da resistência de Gaza, tendo à frente o Movimento de Resistência Islâmica – HAMAS e a Jihad Islâmica diante das agressões de Israel.

Essa reação nada mais é do que a aplicação prática da Carta das Nações Unidas e do direito internacional que asseguram aos povos oprimidos o direito de reagir por todos os meios. Assim foi no Vietnam, assim está sendo na Palestina, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

O respeito à justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica.

Só haverá paz quando estes preceitos forem atendidos, com o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim à doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.

Seria louvável que as pessoas que se manifestaram estarrecidas nas redes sociais com os crimes de ódio racista nos Estados Unidos e as manifestações do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), e igualmente com a deplorável
operação policial na Favela do Jacarezinho, que resultou no assassinato de 28 pessoas, observassem as muitas semelhanças entre o cotidiano das favelas do Rio de Janeiro com a Palestina
.

Por exemplo, na forma dos assassinatos, nas escolas fechadas, no desemprego, no medo, nas invasões e demolições de casas, na negação do direito de ir e vir, além de tantos outros problemas.

Sayid Marcos Tenório é historiador e Vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (Anita Garibaldi/Ibraspal, 2019)

Edição: Juliana Medeiros

TEXTOS RELACIONADOS:

COMENTÁRIOS

  • POSTS RELACIONADOS

    >