Juíza federal é referida como “preta desgraçada” por arquiteta branca

Frente à adversidade, Mylene Ramos não apenas buscará a reparação pelos prejuízos sofridos, mas também almejará fazer valer seus direitos como vítima de discriminação. Uma mulher que dedicou sua vida à luta por justiça social agora se posiciona do outro lado da mesa , não mais como juíza ou advogada, mas como alguém que exige dignidade e respeito.

Juíza federal aposentada negra Mylene Ramos é referida como “preta desgraçada”  por arquiteta branca Jamara de oliveira Moretti, da empresa “Capital do Moisaico”.

No cenário desafiador onde a discriminação racial se entrelaça com questões contratuais, emerge o caso envolvendo a renomada Juíza Federal do Trabalho aposentada e consultora global em diversidade e inclusão, Mylene Ramos, e a empresa “Capital do Mosaico“. O episódio revela não apenas o descumprimento de prazos e a entrega inadequada de materiais, mas também a expressão de comentários racistas, lançando luz sobre a persistência de preconceitos no mundo empresarial.

Resumo do Caso:

Mylene Ramos, uma figura respeitável no campo jurídico e defensora dos direitos humanos, contratou os serviços da “Capital do Mosaico” para a montagem de mosaicos em sua piscina. O contrato incluía prazos específicos de entrega, mas a empresa falhou em cumprir essas condições, causando prejuízos à obra e à equipe que aguardava para concluir o projeto antes da viagem programada de Mylene para a Alemanha.

Além do descumprimento contratual, a situação tomou um rumo mais sombrio quando Jamara de Oliveira Moretti, a proprietária da empresa, proferiu comentários racistas após ser questionada sobre a entrega das pastilhas de porcelana por uma de suas próprias funcionárias. As declarações ofensivas, registradas em meio a uma conversa sobre o trabalho, evidenciam uma atitude discriminatória intolerável.

Arquiteta Jamara de Oliveira Moretti, pessoa que proferiu "preta desgraçada" contra Ex Juiza Mylene Ramos
Arquiteta Jamara de Oliveira Moretti | redes sociais

Ao ser questionada sobre a entrega das pastilhas, Jamara responde com comentários inaceitáveis, evidenciando uma postura discriminatória. “Eu vou entregar esta bosta, eu falei que ela vai receber esta merda. Quero é ficar livre desta preta desgraçada”, são palavras que ecoam não apenas como ofensas isoladas, mas como um reflexo de um problema mais amplo de discriminação racial.

Este diálogo brutalmente honesto, que revela as palavras de Jamara, coloca uma luz intensa sobre racismo e as atitudes discriminatórias que persistem na sociedade brasileira, inclusive nas esferas profissionais. O caso não é apenas sobre o descumprimento de um contrato, mas também sobre a necessidade premente de enfrentar e erradicar o racismo que permeia as interações cotidianas. 

A biografia de Mylene Ramos: Uma vida dedicada à Justiça e à diversidade:

Mylene Ramos, consultora global em diversidade e inclusão, traz consigo uma extensa trajetória no universo jurídico e em projetos sociais voltados à periferia. Com uma carreira marcada por papéis destacados, incluindo o de Juíza Federal do Trabalho e Diretora do Fórum Trabalhista da Zona Sul, Ramos também se destaca por suas contribuições acadêmicas, possuindo mestrado em Direito pelas renomadas universidades de Columbia e Stanford, e uma extensa atuação em prol das populações periféricas.

A expertise de Mylene abrange áreas fundamentais, como Direito do Trabalho, Direito Internacional do Trabalho, Direitos Humanos, Racismo, Diversidade, Discriminação, Responsabilidade Social Corporativa e ESG. Sua atuação como palestrante e TEDx Speaker reflete seu compromisso em compartilhar conhecimentos e promover diálogos sobre questões sociais relevantes. Sua extensa atuação em projetos e iniciativas em prol da população periférica como ministrar aulas de redação em cursinho popular no Capão Redondo para candidatos ao ENEM.

Mylene agora do outro lado da mesa na Justiça

O caso de Mylene Ramos e a “Capital do Mosaico” destaca não apenas os desafios enfrentados por uma cliente em busca de serviços contratados, mas também a triste realidade da persistência de atitudes discriminatórias nas relações de consumo. O descumprimento contratual, somado aos comentários racistas proferidos pela proprietária da empresa, levanta questões críticas sobre a necessidade de uma resposta eficaz para combater não apenas a má prestação de serviços, mas também a discriminação racial que, infelizmente, ainda permeia nossa sociedade.

Frente a essa adversidade, Mylene Ramos não apenas buscará a reparação pelos prejuízos sofridos, mas também almejará fazer valer seus direitos como vítima de discriminação. Uma mulher que dedicou sua vida à luta por justiça social agora se posiciona do outro lado da mesa da advocacia, não mais como defensora, mas como alguém que exige dignidade e respeito. A responsabilidade de Jamara de Oliveira Moretti vai além do cumprimento contratual; ela agora terá que enfrentar as consequências de suas ações, não apenas perante a lei, mas também perante a sociedade não mais tolera o racismo e a discriminação. 

Mylene Ramos representa uma voz firme na busca por justiça, e seu caso destaca a importância contínua de enfrentar e combater todas as formas de discriminação.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

POSTS RELACIONADOS

Quem vê corpo não vê coração. Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental na classe trabalhadora.

Desigualdade social e doença mental

Quem vê corpo não vê coração.
Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental. Sobre como a população pobre brasileira vem sofrendo com a fome, a má distribuição de renda e os efeitos disso tudo em nossa saúde.

A nova fase do bolsonarismo

Por RODRIGO PEREZ OLIVEIRA, professor de Teoria da História na Universidade Federal da Bahia O ato de 25/2 inaugurou um novo momento na história da