Movimento Olga Benário realiza duas novas ocupações

O Movimento de Mulheres Olga Benário tem quatro ocupações no Brasil, todas se tornaram Centros de Referência para mulheres vítimas de violência
FOTOS: Adriano Tomé e Jorge Ferreira

MOVIMENTO DE MULHERES OLGA BENARIO REALIZA DUAS NOVAS FESTAS POR CASA DE REFERÊNCIA E PASSAGEM NO ABC PAULISTA. AS CASAS ATENDERÃO MULHERES E SEUS FILHOS QUE PASSARAM POR SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA

Na manhã do dia 25/07, data em que comemora-se o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, centenas de mulheres trabalhadoras, organizadas pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, ocuparam dois imóveis, que há anos descumpriam a lei da função social da propriedade na região do ABC Paulista e constroem, desde a madrugada, uma nova Casas de Referência e outra de Passagem para mulheres em situação de violência.

A primeira casa, localizada em Santo André, homenageia a grande mulher, negra, lutadora e escritora, Carolina de Jesus e a segunda casa, construída em Mauá, carrega o nome de Helenira Preta II, considerando o enfrentamento que as mulheres da região têm feito contra o leilão e fechamento da Casa de Referência para Mulheres Helenira Preta. Ambas as casas já estão em funcionamento e desde manhã já receberam a visita de mulheres do bairro.

FOTOS: Adriano Tomé e Jorge Ferreira

O Brasil é o 5º país do mundo em que mais assassina mulheres. Só no último ano, uma em cada 4 mulheres foi vítima de violência em nosso país. Durante a pandemia, 8 mulheres foram agredidas por minuto, a maioria por parceiros ou ex-parceiros. Em 2018 e 2019, uma média de 4 mulheres foram mortas por dia. A cada hora, 4 meninas menores de 13 anos são estupradas. Somente no primeiro semestre de 2020, 631 mulheres foram vítimas de feminicídio. A maior parte eram mulheres negras.

No ABC Paulista a violência também aumentou. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a cada 3 horas uma mulher precisa de medida protetiva de urgência pois corre risco de morte ou à integridade física. Além disso, cresceu em 73% o número de abusos e estupros de vulneráveis. Por outro lado, nacional e regionalmente, as políticas existentes para o enfrentamento da violência contra as mulheres são insuficientes.

O Brasil possui 5568 municípios e apenas 2,4% destes municípios contam com casas-abrigo e apenas 417 possuem delegacias especializadas em crimes contra as mulheres (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM) e a maioria das delegacias não funciona no período noturno nem aos finais de semana. Além disso, nos últimos anos tem sido visto um sucateamento dessas poucas políticas existentes, cortes de verbas, promessas não cumpridas, extinção de secretarias municipais de mulheres, entre outros.

Segundo a coordenação do Movimento de Mulheres Olga Benario, “As mulheres organizadas são capazes de lutar e conquistar uma sociedade justa, que não nos violenta e nos mate todos os dias. A conquista dessas novas casas é uma vitória para todas as mulheres da região. As mulheres do movimento hoje estão comprindo uma função que vem sendo negligenciada há muito tempo pelo poder público da região. Cumprimos o papel do Estado de proteger a vida das mulheres. É muito simbólico que a inauguração destes espaços esteja sendo realizada hoje, no dia da mulher Negra Latino Americana e Caribenha, um dia marcado pela luta das mulheres na região do ABC nos últimos anos. No mesmo dia que se completam 04 anos da Casa Helenira Preta, nascem duas novas Casas  em defesa da vida das mulheres”.

Desde 2016, o Movimento de Mulheres Olga Benario organizou quatro ocupações no Brasil: ocupação Tina Martins (Belo Horizonte/MG), ocupação Mulheres Mirabal (Porto Alegre/RS), ocupação Helenira Preta (Mauá/SP) e ocupação Laudelina de Campos Melo (São Paulo/SP). Todas as ocupações se tornaram Centros de Referência para mulheres vítimas de violência e seus filhos, que não encontram na rede pública vagas para atendimento, devido aos cortes no orçamento público federal para tal fim. Agora, são ao todo, seis casas.

            Desde o período da manhã, além de já começar a atender moradoras da região e apoiadores de todo o Estado, as mulheres que constroem a Casa têm realizado um mutirão de limpeza e estrutura, para transformar o imovel antes abandonado em um lugar seguro e acolhedor. As Casas iniciaram uma grande campanha de arrecadação de alimentos, materiais de limpeza, brinquedos, água potável, entre outros itens necessários para o funcionamento adequado das casas.

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  • Só o povo salva o povo! As lutas das mulheres organizadas fazem o que o estado se isenta de fazer! É pela vida das mulheres!

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