Manifesto pelo dia nacional do movimento funk

Manifesto pelo dia nacional do movimento e da cultura funk.O funk evidencia a ampla diversidade cultural do nosso país. No seu universo, os beats, estilos de dançar, vestir e cantar se somam às narrativas de jovens, negros, mulheres, LGBTQIAP+ e quem mais tiver o que falar. Um gênero musical periférico, majoritariamente negro, capaz de unir territórios, criar suas próprias tecnologias e influenciar o mercado de forma única. Pelo Brasil afora, ele se conecta às manifestações culturais de cada estado, tornando-se cada vez mais democrático.

Coletivo Funk no Poderl Do Brasil, das brasileiras e brasileiros, o funk é de todo mundo!

O funk evidencia a ampla diversidade cultural do nosso país. No seu universo, os beats, estilos de dançar, vestir e cantar se somam às narrativas de jovens, negros, mulheres, LGBTQIAP+ e quem mais tiver o que falar. Um gênero musical periférico, majoritariamente negro, capaz de unir territórios, criar suas próprias tecnologias e influenciar o mercado de forma única. Pelo Brasil afora, ele se conecta às manifestações culturais de cada estado, tornando-se cada vez mais democrático.

Seja no Baile da Gaiola (RJ), no Baile da DZ7 (SP) ou em qualquer outro lugar do Brasil, nosso ritmo fomenta a geração de empregos diretos e indiretos, formais e informais, ajudando a impulsionar não só a economia local, como também a nacional. O funk movimenta milhões de reais no mercado fonográfico todos os anos. E essa conquista se deve, em grande parte, à atuação de jovens periféricos que encontram na produção funkeira, uma maneira de garantir o sustento de suas famílias.

A excelência das nossas batidas também transformou o funk em um grande produto de exportação. Nossos artistas rodam o mundo e têm suas músicas replicadas por personalidades e eventos de grande destaque. Essa potência que dá esperança a grupos tão marginalizados e garante que tamanha polifonia ultrapasse as fronteiras é justamente a riqueza social do funk – um movimento cultural e político que deve ser enaltecido e valorizado nacionalmente.

Em 1970, influências musicais vindas da diáspora negra estadunidense se uniriam as nossas para revolucionar a cultura da época. Essa revolução deu seus primeiros passos no Baile da Pesada, no dia 12 de julho daquele ano – o primeiro baile funk de que se tem conhecimento. Idealizada por Ademir Lemos (1946-1998) e Newton Alvarenga Duarte, o Big Boy (1943-1977), aquela festa – no Canecão, Zona Sul do Rio de Janeiro – seria um marco no início da história do movimento funk no Brasil.

É em reverência à importância dos Bailes da Pesada no processo que levou ao desenvolvimento do funk no Brasil, e a todos os DJ’s e pessoas que estavam envolvidas nas festas e eventos daquela época, que queremos propor o dia 12 julho como o Dia Nacional do Funk. A pluralidade de suas vertentes, estilos e expressões, além de seu papel transformador na vida da juventude brasileira, torna sua representação em nosso calendário nacional obrigatória.

Este ato, que pode parecer simbólico, possibilitará maior visibilidade ao movimento e à cultura funk, auxiliando na hora de exigir investimentos aos setores artísticos periféricos e de cobrar políticas públicas que atendam às demandas desses territórios, a fim de que o gênero continue a evoluir, a amadurecer e a mudar vidas.

O funk é reconhecido por sua forte energia. Para amplificar sua potência, precisamos estar unidos. Artistas, selos, gravadoras, distribuidoras (“majors” e independentes), agências, empresárias/os, DJs, produtoras/es musicais, mídia, pesquisadoras/es, funkeiras/os e outras pessoas que dependem do funk, direta ou indiretamente, estão convidadas a se juntar a nós para que este movimento continue se fortalecendo. Exigimos assim, o fim das perseguições, o fim dos pré-julgamentos. Exigimos respeito e o reconhecimento desta que é uma das manifestações culturais mais expressivas do Brasil.

Que possamos compreender e valorizar a trajetória do funk enquanto movimento e cultura. Que continuemos a resistir, lutar e contribuir para sua evolução. Que estejamos unidos e engajados para, dentre tantas outras demandas importantes, convocar o #DiaNacionaldoFunkJá. Como bem disse o já saudoso Mr. Catra, somos um “Movimento cultural, avançado e moderno. Viva a música eletrônica brasileira – funk music”!

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