Lula e Bolsonaro jogam na retranca; assunto mulher domina o debate

Debate presidencial na Band: Lula e Bolsonaro não pegaram pesado
Debate presidencial na Band: Lula e Bolsonaro não pegaram pesado

Por Ricardo Melo

Para usar uma metáfora futebolística, o debate na Band foi como misturar Série A e Série B num mesmo torneio. Lula e Bolsonaro estão vários corpos à frente dos demais candidatos. No fundamental, cada um dos dois, dentro de suas características, repisou discursos que vêm sendo repetidos diariamente.
Para ser mais claro: Lula, líder nas pesquisas, reivindicou progressos sociais inegáveis obtidos nos governos do PT. Fatos incontestáveis, como ele já havia deixado claro na sabatina do “Jornal Nacional”. Deu-se ao luxo de pegar até leve com Bolsonaro. Ainda fez afagos a Ciro Gomes apesar de ser vítima dos ataques do pedetista nos últimos meses.

Já Bolsonaro tentou se apresentar um pouco repaginado, mas seu portfólio de realizações é um desastre. Mitômano, mentiu como sempre. Tentou dourar a pílula com as medidas eleitoreiras de última hora que vem adotando para evitar o naufrágio em 2 de outubro. A dinâmica do confronto concedeu-lhe uma certa trégua – muito tempo para os entrevistadores, pouco tempo para os candidatos.

Na série B o destaque foi Ciro Gomes. Assim como o restante deste pelotão, agiu como franco atirador. Estava à vontade. Sorriu várias vezes, citou números, criticou adversários. Estava como pinto no lixo como se costuma dizer. Também, seus compromissos verdadeiros podem ser medidos pela dezena de partidos pelos quais já passou —a começar do PDS, antiga Arena. Talvez desta vez volte a Paris na eventualidade de um segundo turno.

Soraya e Simone Tebet fizeram o dever de ofício. Estranho que nenhum dos jornalistas teve a curiosidade de cobrar a candidata da União pelo Brasil quando ela disse possuir “muita a coisa a revelar”. Pediu até um delegado para protegê-la na saída. Os entrevistadores se fingiram de surdos.

Um destaque necessário: a situação da mulher. Eu não estava cronometrando os assuntos, porém praticamente todos os candidatos –menos Felipe D’Avila— dedicaram parte importante de seus discursos no debate à condição feminina. Um progresso notável e indicador de que não se pode mais ignorar os direitos desta que é a maior fatia da população.

Teve agressão a mulher no debates

Detalhe: Bolsonaro será sempre Bolsonaro. Desfilou programas aparentemente voltados “à defesa da mulher”, mas na primeira chance investiu grosseiramente contra a jornalista Vera Magalhães ao vivo e em cores. Negou suas falas sobre estupro diante da deputada Maria do Rosário  (PT), por exemplo. Quis contra-atacar citando a declaração de Ciro Gomes sobre o papel da então mulher do pedetista, Patrícia Pillar (”ela dorme comigo”), mas foi rebatido de chofre e murchou. Na verdade, o grande auxílio do capitão à mulher foi o cheque depositado na conta de dona Michelle e até hoje não explicado.

Faltaram no debate –sem dúvida um feito, sobretudo da Band— propostas concretas diante do desemprego e da fome, por exemplo. A verdade é que o formato engessado imposto pela presença de vários candidatos dificulta a exploração de temas candentes com mais profundidade. Neste aspecto, as sabatinas parecem ser mais eficientes, ou então um confronto direto que só ocorrerá se houver segundo turno.

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