Para lacrar nas redes, Lula defende piada com nordestinos

Em coletiva de imprensa com YouTubers, Lula defende piadas xenofóbicas e diz que “o mundo tá chato pra cacete”

Durante coletiva de imprensa com YouTubers na manhã desta terça-feira (26), Lula advogou contra o “politicamente correto”, que, segundo ele, está tornando “o mundo tá chato pra cacete”. “Nós não queremos um mundo unipolar, em que só pode estar na mesa um pensamento, uma tese. Não. Nós queremos um mundo multipolar, que tenha 500 pessoas discutindo na mesa. Aí sim a gente vai ter um mundo feliz. O cara contando piada de nordestinos e eu rindo. Eu contando piada de outras pessoas, e as pessoas rindo”, declarou.

“Está proibido contar piada no mundo, está chato pra cacete. O mundo está pesado. Sabe, todas as piadas agora viraram politicamente erradas. Então, não tem mais graça. Se você quer dar risada, é nesses programas de humorismo chato para cacete de televisão. Me parece que depois que Chico Anysio morreu, desapareceram os humoristas no Brasil”, continuou o ex-presidente.

A fala não caiu bem para os que defendem o fim da xenofobia e do preconceito contra nordestinos. No desespero de tirar Bolsonaro, não podemos colocar Lula em um pedestal e ignorar suas falhas e falas problemáticas. É preciso que Lula seja, sim, corrigido e responsabilizado por suas declarações.

É no Nordeste que Lula tem maioria de votos. E ainda que não tivesse. O povo nordestino não deve ser alvo de piadas e chacotas. Até porque essas piadas nunca atingem os nordestinos ricos, esses sempre considerados “cidadãos do mundo”. Atingem, isso sim, os mais pobres, mais vulneráveis, os humilháveis de sempre, chamados de “paus-de-arara”, “cabeças chatas”, “baianos” (em São Paulo) e “paraíbas” (no Rio). O que o “politicamente correto” pretende é exigir respeito, inclusive no humor. Mulheres, pessoas LGBTQIA+, indígenas, negros e nordestinos não aceitam mais servir suas identidades para alimentar a voracidade de palhaços sem graça.

Lula precisa entender que a linha lacradora e engraçadinha cai como uma luva para gente como Bolsonaro e seus seguidores. Mas é algo que não se espera de um estadista como ele quer ser.

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