Jovem sem-terra é aprovada em primeiro lugar em universidade federal

Que a universidade se pinte de povo, que seja diversa, inclusiva, gratuita e de qualidade
Luana Oliveira. Foto: Arquivo MST

Filha de assentados, Luana Oliveira, 17 anos, foi aprovada em 1° lugar no curso de Serviço Social da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A jovem realizou o fundamental I e II na escola no próprio assentamento, Ulisses Oliveira, no município de Jampruca-MG.

Por Matheus Teixeira, via Movimento dos Trabalhadores Ruais Sem Terra (MST)

A conquista de Luana mostra a eficácia e qualidade de uma educação do campo, realizada por trabalhadores que têm comprometimento com um modelo de educação baseada na emancipação dos sujeitos, e que produz espaços onde o pensar não se restringe ao acadêmico, mas sim integra comunidade e escola. Luana comprova que o modelo de educação do campo adotado pelo MST deve ser expandido. 

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”

Paulo Freire

“Minha família é camponesa, residi sempre no assentamento do MST em Jampruca, estudei durante o meu ensino fundamental I e II na escola do assentamento Ulisses Oliveira, construída através da luta e coragem das próprias famílias do assentamento. Se dependesse do Estado a escola não existiria jamais”, relata Luana, recém-aprovada no curso de Serviço Social.

“Equiparavam o fato da nossa escola ser precária com a nossa capacidade de ensino, e sempre nos saímos melhores do que muitas pessoas que se taxavam melhores do que os Sem Terra”

Reconhecendo a importância da qualidade do ensino que lhe foi ofertada e ciente do sucateamento e ataques que a educação brasileira vem sofrendo, a jovem ressalta que não busca reforçar a ideia de meritocracia, e acredita no potencial e capacidade das pessoas, mas reconhece a negligência do estado em ofertar condições de estudos dignas em  especial nas escolas do campo

“O que vivo hoje merece ser dito, que tenho gratidão, por todas as mãos que ajudaram a construir a nossa escola, gratidão a todos os meus educadores em especial Tia Eliane e Tia Betinha, que brilhantemente buscam formar pessoas e não só alunos, gratidão a minha mãe e minha família, gratidão a todos amigos. Somos a prova de que nós somos capazes”

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