Funcionários do censo denunciam péssimas condições do trabalho

Nesta terça (30), o IGBE lança o primeiro balanço do censo, enquanto isso os trabalhadores reivindicam melhores condições
Trabalhadores do censo - Foto: Reprodução
Trabalhadores do censo - Foto: Reprodução

O IBGE, nesta terça-feira (30), lançou o primeiro balanço da coleta do censo demográfico de 2022. Foram contabilizadas 59.616.994 pessoas na pesquisa. Parece uma grande vitória, entretanto continua em curso o desmonte do instituto promovido pelo governo Bolsonaro. Com salários atrasados e denúncias de péssimas condições de trabalho nos treinamentos, os recenseadores ameaçam greve.

Por Emanuela Godoy e Nicole Conchon

    Diante dessa realidade de péssimas condições de trabalho e do grande desmonte, diversos recenseadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Salvador, foram às ruas no dia 26, ocuparam as sedes do IBGE e marcaram uma greve nacional no dia 1 de setembro. Contra a exploração que vem sofrendo, esses trabalhadores entendem que é um grande absurdo ter um órgão público a serviço do governo federal que sofra esse tipo de desmonte, e essas péssimas condições de trabalho. A coleta de dados importantíssimos sobre analfabetismo, distribuição de renda, população urbana e rural, entre outros e é essencial para haver um melhor direcionamento das políticas públicas no Brasil.

Faz 12 anos desde o último Censo Demográfico, que foi lançado em 2010. Embora a pesquisa do IBGE ocorra de 10 em 10 anos, em 2020 o governo decidiu adiar o censo por conta da pandemia. As orientações foram dadas pelo Ministério da Sáude devido ao quadro emergencial de saúde pública causado pela Covid. O censo, que ficaria para 2021, de qualquer forma, foi mais uma vez adiado. Dessa vez, o motivo foi outro: o desmonte público. Havia sido previsto um orçamento de R$ 2 bilhões, mas o orçamento do instituto sofreu um corte de R$ 1,76 bilhão autorizado pelo Congresso Nacional. Um dia após ter sido anunciado o corte, a então presidenta Susana Guerra pediu demissão. Em artigo publicado no jornal O Globo, a ex-presidenta e o ex-diretor de pesquisas do IBGE, se manifestaram em defesa da realização do Censo:

“A defesa do Censo Demográfico é crucial não apenas para o pacto federativo, mas também para a geração de dados que permitam solucionar os enormes desafios impostos ao país. […] Sem o Censo em 2021, as ações governamentais pós-pandemia serão fragilizadas pela ausência das informações que alicerçam as políticas públicas com impactos no território brasileiro, particularmente em seus municípios.”

É um verdadeiro desmonte para esconder os malefícios do governo, atacando sempre órgãos e instituições que afetam seus próprios interesses, como fez com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), que teve seu papel fundamental de fiscalização ambiental reduzido e negligenciado.  

            O IBGE enfrenta diversos problemas não só na sua parte administrativa, como também com os seus próprios funcionários trazendo suas insatisfações. Denúncias postadas no Reclame Aqui, de trabalhadores da área, expuseram que na semana toda de treinamento, a água da caixa dos banheiros de foi desligada. “Foi humilhante demais usar os banheiros sem água durante as 40h de treinamento”, afirma uma trabalhadora. Sem remuneração desses treinamentos, o abuso de poder e o assédio moral coletivo ficam cada vez mais evidentes dentro do instituto.

“Frustração” é o título de uma dessas denúncias, contando que não havia nenhuma previsão de pagamento, nem ajuda de transporte nem respostas dos responsáveis no instituto.

            No site há ainda diversas outras reclamações com uma resposta do IBGE, que se justificou, dizendo que o grande número de dados pessoais dos recenseadores cadastrados no sistema em um curto espaço de tempo, acabou causando lentidão no pagamento dos valores, e que isso já estava previsto. A resposta é a seguinte:

São diversas dificuldades enfrentadas nessa rotina de pesquisas. Ao menos 6,5 mil recenseadores do IBGE se demitiram por essas más condições de trabalho em um instituto essencial para o planejamento e funcionamento de políticas públicas no país. A partir do pleno funcionamento das ações desses funcionários, é possível concluir onde e como políticas públicas podem atuar a partir da necessidade de cada região.

Acompanhe mais sobre o censo AQUI.

 

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