Casa de Cultura ‘Fazenda Roseira’ luta contra ataques e incêndios

Foto: Fabiana Ribeiro

O equipamento público sofre com furtos e incêndios ocasionados pela falta de segurança .

Várias lideranças , entre elas , Fernando Haddad reivindicam a proteção e preservação do importante patrimônio cultural afrodescendente da cidade de Campinas (SP)

Na manhã de hoje (28/08) , aconteceu a apresentação  do Comitê Permanente de Salvaguarda  e Preservação da Casa de Cultura Fazenda Roseira, uma importante ação  para a preservação do patrimônio  cultural  na cidade de Campinas (SP).  A iniciativa partiu  de  parceiros  da Comunidade Jongo Dito Ribeiro e da própria comunidade  que vem sofrendo com várias ações de furtos, vandalismo e constantes incêndios.

O local é um equipamento público  cultural e só no mês de agosto aconteceram dois incêndios, o mais recente  na madrugada desta quinta-feira (26), quando a área verde da Fazenda Roseira mais uma vez foi incendiada.  Na tentativa de atenuar   os ataques repetidos , integrantes  da comunidade estão em vigília diária – inclusive dormindo no local –  há cerca de 300 dias.

Roda de Jongo na Casa de Cultura Fazenda Roseira durante a atividade no dia de hoje

Na busca de sensibilizar o poder público, assim como informar a população e conseguir  preservar este importante patrimônio campineiro,   grupos de apoio têm se mobilizado. Na atividade da manhã artistas, educadores,  lideranças de movimentos negros assim como lideranças políticas, entre eles Fernando Haddad, ex-Ministro da Educação dos Governos Lula e Dilma,  estiveram presentes na Casa de Cultura Fazenda Roseira manifestando  a solidariedade a comunidade, assim como buscando caminhos para resolver a falta de segurança que assola o equipamento público.

Haddad se comprometeu em ajudar  a Comunidade Jongo Dito Ribeiro  e disse: “ Vou ligar para o prefeito  de Campinas e me colocar à disposição para ajudar”. Também reconheceu a importância  da cultura africana, criticou o preconceito  assim como admitiu o protagonismo do espaço de cultura afrodescendente.  

“Sabe família, a gente tenta, a gente cai, a gente levanta, a gente caminha, a gente corre. Mas vai chegando um momento que a gente cansa”.
Alessandra Ribeiro, uma das lideranças  da comunidade , desabafou nas redes sociais após o último incêndio.

A comunidade que gesta o  equipamento  público tem constantemente denunciado a falta de estrutura, segurança e manutenção. Um dos  últimos furtos no espaço, além da destruição da Biblioteca  ,  foram levados, holofotes, câmeras de segurança,  alarmes, trincos e fechaduras, uma televisão, um fogão, uma pia, portas, um gira-gira, um cano de água, toda a fiação externa de iluminação e até materiais infantis  adquiridos pelo coletivo.

  A ausência de iluminação adequada, o mato alto e a falta de segurança são os principais motivos dos constantes ataques ao local.

O Jongo  Dito Ribeiro é reconhecido e registrado como patrimônio imaterial da cidade de Campinas.  

Desde 2002, a Comunidade Jongo Dito Ribeiro vem se firmando, realizando trabalhos de reconstituição, composição e pesquisa com o objetivo de manter viva a chama dessa descendência, trazendo essa importante manifestação da cultura popular afro-brasileira, elemento de resistência e união para a sociedade. O grupo se apresenta em escolas, universidades, quilombos, festas oficiais e seus encontros são quinzenais na casa de Alessandra Ribeiro e desde 2008, na Casa de Cultura Fazenda Roseira, de gestão da comunidade jongueira , no Jardim Roseira em Campinas, que está aberta a quem quiser participar e contribuir na reconstituição dessa história.

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