Sem oxigênio, 28 pessoas morrem em dia de sufoco na caótica Manaus

Todos pacientes de uma UTI morreram por asfixia durante a madrugada e até o meio-dia de hoje. Oxigênio será enviado da Venezuela
Pacientes estão morrendo no Hospital de Pronto-Socorro da Redenção por falta de oxigênio - Foto de Guilherme Silva

Pelo menos 28 pessoas morreram nessa quinta-feira, 14, por asfixia na UTI do Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus, em consequência da falta de oxigênio no Amazonas para atender as vítimas do coronavírus. A informação foi confirmada pelo ex-prefeito da cidade, o ex-senador tucano Arthur Virgílio Neto. A falta de oxigênio está deixando Manaus em situação cada vez mais caótica diante da pandemia. Nas próximas horas e dias os hospitais receberão oxigênio de outros estados e do governo da Venezuela.

Um funcionário do hospital, que pediu para não ser identificado, havia revelado aos Jornalistas Livres que as mortes ocorreram durante a madrugada e a manhã de quinta-feira. Segundo ele, a última morte foi registrada antes do meio-dia. Na quarta-feira foram registradas 51 mortes por covid-19 no estado do Amazonas, totalizando 5.930 mortes durante a pandemia.

Ainda ontem o governo do Estado assinou uma deliberação extrajudicial solicitando que empresas do polo industrial de Manaus destinem cilindros de oxigênio para as unidades de saúde da capital. Diante da situação caótica, o governo do Amazonas decidiu enviar pacientes para serem socorridos no Piauí, após o Pará fechar as suas portas.

O número de mortos não para de crescer nos hospitais de Manaus – Fotos de Guilherme Silva

Venezuela

A governo da Venezuela e a empresa de gás White Martins se ofereceram para enviar do país vizinho o oxigênio disponível. Segundo a empresa, o consumo do produto cresceu cinco vez mais em 15 dias , esgotando os seus estoques na capital do Amazonas. Apenas o consumo atual de cinco hospitais de Manaus é maior que a capacidade de produção da White Martins, que é de 28 mil metros cúbicos por dia.

O governador Wilson Lima afirmou em entrevista, nesta quinta (14), que o governo Bolsonaro tentou ajudar na crise de abastecimento de oxigênio nos hospitais públicos da capital, mas o Ministério da Saúde enviou apenas 6,6% do volume de oxigênio que a cidade precisa para impedir que pessoas morram por asfixia.

“A gente recebeu uma carga ontem com seis isotanques, tinha 5 mil metros cúbicos de oxigênio. Nossa necessidade hoje é de 75 mil metros cúbicos”, disse o governador.

Nesta quinta, a Prefeitura de Manaus pediu ajuda à embaixada dos Estados Unidos para conseguir um avião para transportar o oxigênio obtido em outros locais. Isto porque o avião cedido pela Força Aérea Brasileira está passando por manutenção.

Um carteiro que pediu para não ser identificado, gravou um vídeo pedindo que os moradores do bairro Cidade Nova não procurem a agência dos Correios local. Segundo ele, um funcionário da agência está entubado num hospital devido à covid-19 e, apesar disso, ninguém da agência fez o teste ou foi afastado do trabalho, colocando em risco os usuários dos serviços dos Correios.

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