Estudantes da UFMT na Luta para garantia de Direitos  — Alimentação como permanência Universal na Universidade Pública

Em tempos de crise do Capitalismo, a resistência da classe trabalhadora e seus descendentes avança. Por: Davi Vittorazzi, Estudante de Jornalismo - UFMT

No dia 9 de Fevereiro de 2018, a Administração Superior da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) convocou os Diretório de Central dos Estudantes dos 5 campi do estado, para apresentar uma Política de Alimentação Estudantil na Universidade. No dia 20 de Fevereiro essa proposta foi apresentada no site da UFMT. A Política anterior — e vigente até o momento — proporciona que estudantes de graduação presencial paguem R$ 0,25 no café da manhã e R$ 1,00 no almoço/jantar. Com a primeira proposta os subsídio de 90% cobertos pela Instituição seriam de responsabilidade cada estudante, a menos que comprovasse renda de até 1,5 salário mínimo per capita.
Após o anúncio do aumento das refeições, começaram as movimentações estudantis de todos os campi. Na UFMT em Cuiabá foram feitas vários Conselhos de Base Estudantil (CEB) e protestos, em diversos espaços da Universidade, principalmente no Restaurante Universitário (RU) que alertavam o provável aumento das refeições.

Estudantes ocupam Conselho Diretor UFMT. Fonte: DCE Cuiabá

Inicialmente não parecia muito nítido que o Movimento Estudantil (ME) conseguiria se reerguer, unindo grande parte dos estudantes da Instituição. No entanto, com força ainda maior, mais de 20 cursos ocuparam seus blocos e mais de 27 cursos deflagraram Greve Estudantil. E por fim, no dia 08 de maio é deflagrado Greve Geral Estudantil no Campus Cuiabá.
No interior as greves iniciaram ainda antes, com grande parte dos campi em greve e ocupados pelos estudantes. Os campi com maiores movimentos são Araguaia, Sinop e Rondonópolis.

Protesto no campus Araguaia. Foto: DCE Araguaia

Por parte da Administração Superior da UFMT foram feitas Audiências Públicas em cada campus na tentativa de justificar os reajustes. Em Cuiabá, por exemplo, estavam presentes apenas a Pró-reitora de Planejamento (PROPLAN) Tereza Christina Mertens Aguiar Veloso e a Pró-reitora de Assistência Estudantil (PRAE) Erivã Garcia Velasco. Muitos questionamentos foram feitos pelos discentes, contudo, poucas respostas foram apresentadas pela Mesa que regia a Audiência.

Audiência Pública na UFMT Cuiabá. Foto: Anne Martins

A justificativa da mudança no valor do RU é feito pela redução do orçamento da Instituição. Segundo a PROPLAN da UFMT, em 2017, o Governo Federal fez um corte de mais 37 milhões. Já em 2018, o corte foi de 5 milhões. Segundo a Administração Superior os custos com alimentação chegam a 15 milhões por ano. Com a nova Política de Alimentação a UFMT atenderia mais estudantes com gratuidade na alimentação, aos que comprovarem renda inferior a 1,5 salário mínimo.
Ao longo dos protestos dos estudantes, depois de ocupações de guaritas, blocos e deflagração de Greve Estudantil a Reitoria decide “começar o diálogo” com os estudantes. No entanto, ainda com muitas dificuldades, como por exemplo não comparecer a reunião marcada com os estudantes. Foi necessário mais resistência estudantil. Marchando para sede da Reitoria conseguiram que fossem atendidos por Myrian Serra — reitora da Universidade.

O QUE OS ALUNOS REIVINDICAM?

Problemas das propostas: atualmente a Universidade não atende todos alunos com bolsas de assistências estudantil. O número de alunos assistidos pela Pro-reitoria de Assistência estudantil não passa de 2 mil alunos, sendo que todo ano, o número de alunos que necessitam das bolsas cresce.
Segundo estudos realizados por um grupo estudantes da UFMT que envolve alunos dos cursos de Saúde Coletiva, Biologia e diversas Engenharias, baseado no Relatório Anual de Gestão (RAG), o orçamento total da universidade em 2017 foi mais de 1 bilhão de reais. Além disso, denunciam que os corte estão sendo diretamente em auxílios estudantis, como bolsas do PIBID que, em 2015, atendiam 647 bolsistas, já em 2018 não há previsão de abertura a novos bolsistas.
E principalmente não aceitam que a empresa Novo Sabor, pertencente ao empresário Alan Malouf, continue lucrando mais de 9 milhões de reais por ano só com o contrato com a Universidade.
Os estudantes reivindicam a construção de uma Política de Alimentação que seja construída com toda comunidade acadêmica, que seja auto gerida. Acusam que os recursos da Universidade está sendo destinada ao lucro de empresas privadas que visa aumentar seus lucros.
“Dizemos não aos cortes na Educação. Dizemos que Universidade Pública não serve para dar lucro a empresas privadas. E sim fortalecer Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade através dos atuação dos estudantes no Restaurante Universitário” afirmam os estudantes.
Um grande questionamento dos estudantes frente a Reitora é: Qual é a relação com a empresa Novo Sabor e a atual Gestão da UFMT? Sendo o proprietário envolvido em grandes esquemas de corrupção em Mato Grosso.

DIÁLOGO E AÇÃO?

A promessa eleitoral da atual Gestão da Administração Superior da UFMT é “Diálogo e Ação”. No entanto, é fácil perceber que a Reitora utilizou esses dois termos apenas para campanha eleitoral — algo frequente no Brasil. Foram várias as tentativas dos estudantes para começar um diálogo com a Gestão da Universidade, porém, em todas as vezes houve sabotagem, implosão dos espaços e, como sempre, criminalização aos estudantes.

E POR ISSO A RESISTÊNCIA CONTIUNA

Mesmo após mais de quatro meses de resistência, os discentes demostram que a Luta por uma democracia direta e efetiva é possível. Sempre lembrado que GREVE NÃO É FÉRIAS, os estudantes realizam Assembleias, Plenárias, Oficinas, Palestras e outras atividades todos os dias, fortalecendo e construindo a Luta.

Foto: CG UFMT Cuiabá

Os estudantes seguem mobilizados em Greve e Ocupando o prédio da Reitoria da UFMT. Mesmo sendo pressionados e criminalizados pela Administração Superior da UFMT, os estudantes se esforçam para continuar a mobilização. Os mesmos exigem que a Reitora Myrian Serra assine um termo de compromisso de manter o RU a R$ 1,00 Universal até o final de sua gestão em 2020. E nesse período de mandato se busque através de Estudos, GTs, Fóruns e demais, um novo modelo de gestão do Restaurante. Com o propósito de garantia do valor possibilitando a permanência dos estudantes da Universidade.

Foto: Olhar Direto

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