Estamos vivendo a pandemia do ódio

A máquina de ódio, mentiras e manipulação desencadeada por Bolsonaro e seus aliados, já intoxicou profundamente a sociedade brasileira
Pandemia do ódio: Bolsonaro e Hitler se sobrepõem - Foto: Reprodução
Pandemia do ódio: Bolsonaro e Hitler se sobrepõem - Foto: Reprodução

Vivemos uma espécie de segunda pandemia.

A verdade dos fatos virou farelo frente a essa engrenagem monstruosa. Não adianta chamar a atenção para a fome espalhada por todo o território brasileiro, os preços altíssimos dos produtos básicos nos supermercados, nas feiras e sacolões; os empregos cada vez mais precarizados e a aposentadoria dilapidada; as altíssimas tarifas de água e energia elétrica, a insegurança financeira da maioria da população brasileira. A máquina bolsonarista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que a economia está bombando.

Por Ademir Assunção*

Não adianta mostrar a violência explícita que já causou assassinatos, demissões de funcionários, ameaças armadas difundidas aos borbotões nas redes sociais. A máquina bolsonorista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que seu exército luta pela liberdade – e não pela tirania.

Não adianta mostrar a imoralidade não apenas de seu chefe-maior frente a garotas de 14 anos, frente a mulheres ameaçadas literalmente de estupro, frente a gays ameaçados de morte (com inúmeras ameaças cumpridas), frente a negros tratados como animais cujo peso deve ser medido em arrobas, frente a territórios indígenas invadidos e populações assassinadas. A máquina bolsonarista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que seu exército defende a família.

Não adianta mostrar como o Brasil se tornou um pária nas grandes reuniões internacionais, como o seu chefe-maior fustiga e agride países vizinhos e até mesmo gigantes distantes e imprescindíveis para o comércio exterior (vide os repetidos xingamentos aos chineses durante a pandemia). A máquina bolsonarista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que seu chefe-maior defende a Pátria.

Não adianta mostrar a intolerância religiosa de seu exército, interrompendo missas católicas para xingar padres e bispos, apedrejando templos de religiões africanas, conturbando a festa de celebração da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. A máquina bolsonarista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que seu exército vela pela liberdade religiosa.

Não adianta mostrar as reiteradas atitudes de escárnio, desrespeito e desumanidade com as vítimas da pandemia mais letal da história humana recente, com as mensagens reiteradas de que se tratava de uma “gripezinha”, de imitações de pessoas morrendo por falta de ar, de declarações de que quem tomasse a vacina se tornaria jacaré. A máquina bolsonarista está conseguindo convencer milhões de intoxicados a esquecer os mortos e suas famílias enlutadas.

Não adianta denunciar os bilhões de reais do dinheiro público que estão sendo gastos para comprar votos por meio do tal “orçamento secreto”, sem nenhum controle da sociedade, num escândalo que os canais de comunicação vacilam em chamar de “Bolsolão”. A máquina bolsonorista está conseguindo convencer milhões de intoxicados de que seu exército acabou com a corrupção no Brasil.

A máquina de ódio, mentiras e manipulações em andamento talvez nos dê, em pouco tempo, a nítida visão da máquina de propaganda nazista que levou a Alemanha a fase mais medonha da sua história.

O vírus desta segunda pandemia já está disseminado na população brasileira. Mas ainda há 8 dias para evitar a eclosão de sua tragédia exaustivamente anunciada.

*Ademir Assunção é poeta e jornalista

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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