Diário do Bolso: o técnico maluco que ajuda o centrão

A troca mais importante foi tirar o general Fernando Azevedo e Silva do ministério da Defesa. Pra começar, ele não quis dar a quarta estrela pro Pazzuelo. Mas o pior é que não ficou do meu lado quando eu quis decretar Estado de Defesa. E antigolpista comigo não tem vez!

Por José Roberto Torero*  O centrão adorou. Diário, fiz que nem aqueles técnicos malucos: troquei meio time no intervalo.

Pra começar, mandei o Ernesto Araújo pro vestiário. Todo mundo já estava pedindo cartão vermelho para ele: o Centrão, os diplomatas, os senadores e a China. Que pena… Nunca vou esquecer dele gritando “Mito, mito!”  quando eu mandei os jornalistas enfiarem o leite condensado naquele lugar.

Pra posição dele, o Dudu indicou o Carlos França, que cuidava do cerimonial. Isso é bom, porque ele vai saber usar o garfo certo pras coisas. Além do mais, tem o sobrenome de França. Ou seja, o cara já é internacional por natureza. É bem verdade que ele nunca assumiu uma embaixada de verdade. Mas assim é melhor. Fica mais fácil pro Dudu mandar nele.

Também mandei embora oJosé Levi, Advogado Geral da União. O sujeitinho não quis assinar aquela ação contra as medidas restritivas dos estados. E, pra jogar no meu time, tem que me obedecer de olhos fechados e nariz tampado!

Pro lugar dele vai o André Mendonça, que era ministro da Justiça. Esse, se eu mandar plantar bananeira em campo, ele pergunta: “nanica ou prata?”.

Aí, pro lugar do André Mendonça vai o delegado Gustavo Torres. Amigo da família e da bancada da bala. Chapíssimo!

A troca mais importante foi tirar o general Fernando Azevedo e Silva do ministério da Defesa. Pra começar, ele não quis dar a quarta estrela pro Pazzuelo. Mas o pior é que não ficou do meu lado quando eu quis decretar Estado de Defesa. E antigolpista comigo não tem vez!

Pro lugar dele foi o Braga Netto, que estava na Casa Civil. E no lugar do Braga coloquei o Luiz Eduardo Ramos, que estava na Secretaria de Governo.

Já pra Secretaria de Governo escalei a Flávia Arruda. Ela é do PL, do Valdemar Costa Neto (aquele que foi preso no Mensalão) e é esposa do ex-governador José Roberto Arruda (que também já puxou uma cana por corrupção). Poxa, essa moça só anda com gente que já esteve na cadeia?

Bom, tanto faz, desde que ela seja uma boa secretária, fazendo as ligações do Centrão pra mim e de mim por Centrão.

Enfim, Diário, daqui pra frente, só joga no meu time quem beija o chão que eu piso. E não quero selinho. Tem que ser de língua mesmo!

José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

#diariodobolso

desgoverno: a culpaé dos outros

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