Diário do Bolso: o silêncio sobre a morte do miliciano

Diário,não vou falar nada para a imprensa sobre o Adriano. Nem uma vírgula. É como diz aquele ditado: “A palavra é de prata, o silêncio de ouro.” Se bem que o certo seria “A palavra é de prata, o silêncio é de chumbo”, kkk!

José Roberto Torero*

Diário,não vou falar nada para a imprensa sobre o Adriano. Nem uma vírgula. É como diz aquele ditado: “A palavra é de prata, o silêncio de ouro.” Se bem que o certo seria “A palavra é de prata, o silêncio é de chumbo”, kkk!

Não, não posso rir. O Adriano era um bom garoto. Por isso que em 2005 subi na tribuna da Câmara para defender o rapaz.

Ele tinha sido condenado pelo assassinato de um flanelinha. E, por coincidência, na véspera de morrer o tal flanelinha tinha denunciado uns milicianos.

Eu gostava tanto do Adriano que até fui assistir ao julgamento dele. E, na Câmara, pedi a anulação do veredito.

Ele também era chapa do meu amigo Queiroz e do meu filho Flávio. Chapíssimo. Depois da morte do flanelinha, ele até deu a Medalha Tiradentes pro Adriano, a mais alta honraria da Assembleia do Rio. Chique no último.

Olha, Diário, sempre fui a favor das milícias. Inclusive as da Bahia. Em 2008 eu falei assim: “Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um parlamentar criticar os grupos de extermínio — que, enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio”.

Falando em Bahia, dois jornalistas da Veja foram detidos quando estavam a caminho de uma das fazendas do Leandro Guimarães, que acoitou o Adriano.

Essa Veja anda querendo ver demais.

Ela conseguiu umas fotos do corpo do Adriano e mostrou pruns médicos legistas.

Um disse que as marcas indicavam que o disparo teria ocorrido a uma distância de no máximo 40 centímetros.

O outro falou que o tiro na lateral do corpo provavelmente foi dado quando o Adriano estava com os braços erguidos.

Pô, estão querendo dizer que foi queima de arquivo?

Só porque a mãe e a ex-mulher do Adriano recebiam salário pelo gabinete do Flavinho? Só porque eu defendi o cara em 2005?

Bom, o importante agora é dizer que foi tudo coisa do PT, porque eles é que governam a Bahia. Nem vamos lembrar que a Polícia Civil do Rio participou da operação.

E eu e a minha família vamos ficar bem quietos.

Shhhhh…

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

@diariodobolso

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