Diário do Bolso: o indulto de Natal

Indulto para os policiais e militares que mataram alguém e foram presos. E é claro que tem um monte de milicianos nesta turma, ho, ho, ho.

Por José Roberto Torero*

Ho, ho, ho, Diário! Eu sou mesmo um Papai Noel. Pelo menos para os policiais e militares que mataram alguém e foram presos.

Às vezes o pessoal dá um tiro “sem querer, querendo” e acaba na cadeia. Mas agora acabou isso daí. Liberei todo mundo que já cumpriu um sexto da pena. E não é aquela saidinha de Natal, não. O pessoal tá liberado para sempre. É perdão total.

Foi um indulto seletivo. Eu podia ter dado um perdão para todo mundo que cometeu um crime culposo, sem intenção. Mas não. Vai ser só para os agentes públicos do sistema nacional de segurança. E é claro que tem um monte de milicianos nesta turma, ho, ho, ho.

Até no Natal eu apronto das minhas, Diário. Comigo não tem feriado.

O bom é que o Moro assinou o decreto comigo. Ele criticou os indultos anteriores, dizendo que eram indultos “salva-ladrões ou salva-corruptos”. Mas achou legal o nosso indulto salva-miliciano.

Se o Capitão Adriano, que era chefe do Escritório do Crime (aquela milícia que matou a Marielle), já tivesse se entregado, podia estar livre agora, pô! O cara tinha que confiar mais na gente, ho, ho, ho.

Bom, por hoje chega, já escrevi demais.

Agora vou almoçar na casa do Ricardo Salles. Será que ele tem árvore de Natal?

Gin com Bell’s, gin com bell’s…

@diariodobolso

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

Categorias
Destaques
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

AfrikaansArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchGermanItalianJapaneseKoreanPortugueseRussianSpanish

Relacionado com