Diário do bolso: a capivara do Cascavel na Saúde

Em resumo: ele fez grilagem, vendeu sem licitação, levou multa por crime ambiental, foi pego tentando subornar um funcionário público e é um fazendeiro que não entende patavinas de medicina. Tá, isso são fatos. Mas dizer que por causa desses detalhes o Cascavel não pode ser um dos bambambãs do Ministério da Saúde é interpretar as coisas. Aí não pode, pô!
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Por José Roberto Torero*  Diário, o Pazzuelo tá certo: a imprensa não tem que interpretar nada. Tem só que contar os fatos e pronto! Ainda mais falar da capivara do Cascavel no Ministério da Saúde….

Por exemplo, a agência Sportlight disse que o braço direito do Pazzuelo, o tal de Airton Cascavel, quando era prefeito de Mucajaí (RR),foi acusado de tentar subornar o delegado de agricultura com cinco mil cruzados para conseguir uma caminhonete modelo D-10.

E fez isso por escrito. Ele deu um cartão de visitas pro cara e escreveu no verso: “Dôo-lhe CZ$5.000(cinco mil cruzados) para me doar a D-10 2421306. Estude”.

O cartão foi submetido a exame grafotécnico e viram que ele foi mesmo escrito pelo Airton Antônio Soligo, que é o nome do Cascavel.

O Ministério Público de Roraima fez a denúncia, mas o Cascavel conseguiu enrolar o treco até ele caducar.

Fora isso, o Cascavel também é acusado por grilagem da “Fazenda Brasilândia” junto com o Rodrigo Jucá, filho do Romero Jucá.

E nessa fazenda ele produziu polpa de fruta que foi vendida sem licitação para merenda escolar.

Tem mais: para impedir a entrada dos sem-terra na sua fazenda, ele cavou uma vala em área de preservação, cometendo crime ambiental.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) multou o Cascavel. Mas aí (olha só como são as coincidências da vida) ele foinomeado pelo interventor de Roraima para comandar aprópria Femarh.

O Cascavel (por que será que ele tem esse apelido?) chegou a tomar posse do cargo, mas a Assembleia Legislativa recusou sua indicação por 14 votos a 9. A culpa foi dos servidores da Femarh, que disseram que denunciaram oconflito de interesses e no dia da votação lotaram o plenário da ALERR.

Em resumo: ele fez grilagem, vendeu sem licitação, levou multa por crime ambiental, foi pego tentando subornar um funcionário público e é um fazendeiro que não entende patavinas de medicina. Tá, isso são fatos. Mas dizer que por causa desses detalhes o Cascavel não pode ser um dos bambambãs do Ministério da Saúde é interpretar as coisas. Aí não pode, pô!

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

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Diário do bolso: Aras o grande defensor do desgoverno

No meio daquele bafafá todo sobre impichimem, ele divulgou uma nota dizendo que não é dever dele avaliar ilícitos atribuídos a mim. Isso foi show! É como um zagueiro dizer que o trabalho dele não é defender. Ou seja, eu posso pisar no pescoço de quem eu quiser, que o Aras não vai fazer nada. No máximo, vai lustrar o meu sapato. Ou bota.

Pra ele, me processar é responsabilidade do Legislativo. É como se o zagueiro dissesse: “O culpado pelo gol foi o centroavante que perdeu a bola lá na frente, não eu, que tomei a bola por baixo das pernas”.

Mas o Aras não parou por aí. Não mesmo! Ele ainda insinuou que posso decretar o “estado de defesa”, para preservar a “estabilidade institucional”. Ou seja, falou que eu tenho direito de dar um golpe de estado.

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