Dan Kovalik agraciado com o Serena Shim Award

O advogado e escritor sempre utilizou seu trabalho e voz para a causa dos direitos humanos e é certamente merecedor desse reconhecimento por sua coragem e inabalável defesa de princípios.

O advogado norteamericano Dan Kovalik, professor de Direitos Humanos Internacionais da Universidade de Pittsburgh, escritor, documentarista, articulista e analista político de meios como TeleSur, CounterPunch, Huffington Post e – para nossa honra – também dos Jornalistas Livres, acaba de receber o Prêmio Serena Shim por Integridade Descomprometida no Jornalismo.

O prêmio – já laureado a ninguém menos que o ativista Julian Assange“homenageia jornalistas não convencionais que usam sua voz para dizer verdades desafiadoras em tempos difíceis”, algo que certamente define o trabalho realizado há décadas por Dan Kovalik, desde que ainda como advogado sindical trabalhista enfrentava e denunciava megacorporações como a Occidental Petroleum e outras gigantes do mercado financeiro como a Coca-Cola Company, quando defendeu trabalhadores colombianos vítimas de flagrantes violações de direitos humanos que incluíam torturas e assassinatos.

Ou até muito antes, quando diante das agressões praticadas por seu país contra países latinoamericanos, Dan cruzava a América Central acompanhando comboios humanitários organizados por veteranos da Guerra do Vietnã, como Brian Wilson e outros lutadores pela paz, levando suprimentos e apoio ao povo nicaraguense que lutava não só contra a ditadura dos Somoza, mas também os chamados contrarrevolucionários, apoiados e abastecidos com armas e munições pelo império estadunidense.

Não por acaso, Kovalik tem sido ao longo de toda sua vida um ferrenho defensor das causas humanitárias e justas, emprestando sua voz e esforço pessoal e profissional em defesa da Causa Palestina e contrário às reiteradas agressões do imperialismo contra Nicarágua, Venezuela, Cuba e muitas mais.

Dan Kovalik e o então guerrilheiro Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua

Além de incontáveis artigos, Kovalik é também autor de vários livros críticos à política externa norte-americana, em especial as (ironicamente) chamadas “intervenções humanitárias” e estratégias de “mudanças de regime”, ambas dirigidas sempre à países em desenvolvimento ou do chamado sul global ou qualquer um que não se dobre aos interesses imperialistas. Dentre eles, “No More War” em que ele faz um apanhado histórico das intermináveis guerras e agressões militares nas quais os EUA esteve envolvido, além do mais recente “Cancel this book” sobre a cultura conservadora de “cancelamento” nas redes que contaminou a esquerda não só nos EUA, mas em todo o mundo.

Dan Kovalik é, portanto, certamente merecedor desse que pode ser considerado um dos maiores reconhecimentos para um jornalista, o “Serena Shim Award for Uncompromised Integrity in Journalism” e vai dividi-lo com outros laureados de peso. Além do já mencionado ativista Julian Assange, Kevork Almassian do Syriana Analysis, Max Blumenthal, Vanessa Beeley, Eva Bartlett, Caitlin Johnstone, dentre outros admiráveis e heroicos do jornalismo internacional sério, combativo, comprometido com a verdade e com a luta por direitos humanos.

Anteriormente, Dan Kovalik já havia recebido prêmios como o David W. Mills Mentoring Fellowship da Stanford University School of Law e ainda o Project Censored Award por seu artigo expondo o assassinato sem precedentes de sindicalistas na Colômbia.

Serena Shim (1985-2014) foi uma jornalista americana que trabalhava para a emissora iraniana Press TV. Ela fazia reportagens na fronteira turco-síria, onde reportava sobre terroristas do ISIS/DAESH cruzando da Turquia para a Síria, disfarçados em caminhões com símbolos de ONGs e do Programa Mundial de Alimentos. Serena disse a seus empregadores que foi ameaçada pela inteligência turca e acusada de espionagem. Apenas dois dias depois, ela morreu repentinamente em um suspeito acidente de carro em outubro de 2014, em circunstâncias que permanecem obscuras desde então. Mesmo depois de ameaçada pela inteligência turca, ela continuou a reportar e pagou o preço por sua integridade inflexível no jornalismo.

Confira alguns dos artigos de Dan Kovalik aqui:

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