Criança de 3 anos pega a arma do pai e atira na cabeça do irmão gêmeo

A flexibilização do porte de armas promovida pelo governo Bolsonaro fez crescer o número de acidentes infantis com arma de fogo

Mais uma tragédia envolvendo armas e crianças aconteceu no Brasil nesta quinta (22). Um menino de três anos atirou sem querer em seu irmão gêmeo após encontrar a arma do seu pai. O disparo atingiu a cabeça do irmão na Zona Norte do Macapá. Segundo a Policia Militar, o pai da criança é colecionador de armas. Suas pistolas ficavam guardadas em um cofre, entretanto, na quinta havia retirado uma delas para ir a um clube de tiros. O menino foi socorrido, mas seu estado é grave. O caso foi apurado pela jornalista Núbia Pacheco do G1.

Os familiares informaram a PM que o pai das crianças esqueceu de guardar a arma no cofre. Então ao entrar na sala em que o cofre ficava, o menino encontrou a arma do pai e acidentalmente disparou contra seu irmão.

O 2º Batalhão da Polícia Militar, que atua na Zona Norte da capital, foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Novo Horizonte, onde a criança foi levada por familiares. O pai da criança foi levado para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), que fica no bairro Pacoval.

Flexibilização do porte de arma no governo Bolsonaro

Durante o governo Bolsonaro, mais de 30 atos normativos foram publicados pelo governo federal nos últimos três anos flexibilizando compra de armas e munições, conforme apurou a matéria da Tatiana Scalco dos Jornalistas Livres. Como resultado, a compra de armas no Brasil aumentou mais de 3200% e o número de licenças de armas de fogo quadruplicou.

Entre 2018 e 2022 o número de licenças para armas de fogo subiu 473%, passando de 117.4767 (2018) para 973.818 (1.junho.2022) – segundo dados do o Atlas da Violência de 2021 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ). 

A cada 60 minutos uma criança ou adolescente morre no Brasil por causa de armas de fogo

A cada 60 minutos uma criança ou adolescente morre no Brasil por causa de armas de fogo. A cada duas horas uma criança ou adolescente dá entrada em um hospital do SUS por causa de ferimentos de arma de fogo. Os dados foram coletados pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Para Ana Claudia Cifali, que é doutora em ciências criminais, a política armamentista de Bolsonaro é a principal responsável pelos acidentes infanrtis envolvendo armas de fogo. O incentivo ao armamento da população, para Cifali, coloca em risco a vida de toda a população e aumenta a vulnerabilidade de grupos sociais, como crianças e adolescentes.

Após o Estatuto do Desarmamento, promovido pelo governo Lula, o número de crianças mortas por tiro acidental caiu pela metade. Antes eram 20 por dia, depois de 2003 passaram a ser 10. Com o governo Bolsonaro, o número de tragédias volta a subir.

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