EDITORIAL: Com Lula, podemos vencer no primeiro turno!

Temos 45 dias para ganhar as redes e as ruas para o grande projeto de Lula para a reconstrução popular do Brasil
Foto: Pedro Vilela / Getty Images
Foto: Pedro Vilela / Getty Images

Estes têm sido os quatro anos mais nefastos do Brasil, desde a redemocratização. Jair Bolsonaro levou o país de volta ao Mapa da Fome, fez famílias inteiras brigarem por restos de ossos nos lixões, minimizou a pandemia, demorou a comprar vacinas deixando morrer 682 mil pessoas pela Covid-19. O atual presidente ainda cortou investimentos nas ciências, saúde e educação, destroçou a cultura, a economia e elevou o número de desempregados. A falta de condições básicas para viver em dignidade fez subir o índice de violência, e o resultado foi a mais sangrenta guerra urbana e rural, com resultados catastróficos. É neste cenário que começou, neste 16 de agosto, uma das campanhas eleitorais mais curtas da nossa história e, certamente, uma das mais dramáticas. Serão 45 dias de luta e convencimento. Lula se jogará ao grande desafio de vencer no primeiro turno. Será a melhor forma de evitar a polarização exacerbada, tão ao gosto do atual governo, que transforma adversários em “inimigos” e a política em exercício do ódio.

O ex-presidente Lula, que governou de 2003 a 2010, não deverá medir esforços, adotando um discurso abrangente o suficiente para aglutinar apoio dos diferentes setores da sociedade – dos mais conservadores e liberais aos mais progressistas e inquietos – mas terá de tomar todos os cuidados para não fugir do que se espera dele: um governo verdadeiramente popular.

Terá que estar atento aos diferentes, falar a língua de todos, dos movimentos sociais, dos religiosos e dos ateus se quiser neutralizar a agilidade com que bolsonaristas ocupam as redes, munidos da costumeira profusão de mentiras e notícias fabricadas que confundem a opinião pública. Lula precisará chegar aos eleitores indecisos e desavisados antes do adversário.

Deverá transitar entre as famílias que vivem a angústia de não ter o que comer e desejam urgentemente a volta do café da manhã, do almoço e do jantar. Demanda, aliás, tão prosaica e básica quanto respirar e ter um teto onde se abrigar.

Lula terá de reiterar agora que vai interromper a escalada do garimpo ilegal, da devastação e das queimadas na Amazônia, na Mata Atlântica e no Cerrado. 

Se quiser vencer, deve seguir conversando com os banqueiros sem perder de vista o discurso – e a prática – da taxação das grandes fortunas e da inversão de prioridades na economia. Deve incluir na pauta, de uma vez por todas e de forma inequívoca, os negros, as mulheres, os indígenas, as comunidades LGBTQIA+, os quilombolas, as populações das florestas, das águas, os produtores familiares de alimentos, as abandonadas periferias das cidades. 

Para ganhar as eleições, terá de firmar um pacto com os que sempre estiveram fora das propostas dos homens públicos e das políticas públicas. Em 45 dias, Lula precisará ser convincente e deixar explícito que com ele subirão a rampa do Palácio do Planalto todos os expulsos e os deixados à margem.

Seu projeto de vitória deverá implicar também a eleição de um número expressivo de deputadas e deputados, senadoras e senadores, governadoras e governadores aliados do povo. Que eles tenham entre seus principais interesses a soberania nacional e a liberdade. Que se empenhem na árdua e imprescindível tarefa de reinvenção do país à imagem e semelhança dos brasileiros – com a cara e a cultura da nossa gente. 

Observando dolorosos exemplos do recente passado – em uma nação que não responsabilizou os militares pela tortura, perseguição e mortes praticadas em nome da manutenção da ditadura –, o candidato petista precisará abrir espaço e prover condições para o processo e o julgamento dos que cometeram crimes contra a Constituição, roubaram direitos e oportunidades dos brasileiros nos últimos anos. Um Judiciário competente e ágil é ator importante na empreitada.

Espera-se de Lula que mande logo para o quartel e a caserna os generais que, frios e indiferentes à penúria das famílias, incharam o topo da máquina pública e se locupletaram com salários milionários. 

O zelo por um processo eleitoral pacífico será uma das principais tarefas do Judiciário, na proteção do resultado das urnas em 2 de outubro. Coisas que parecem óbvias, mas o óbvio andou ameaçado. Que as forças de segurança pública garantam a integridade física dos candidatos e dos eleitores, impedindo episódios truculentos como o que vitimou o Mestre Moa do Katendê, eliminado a facadas em outubro de 2018 por declarar voto ao PT. As escolhas políticas não podem mais ser estopim da barbárie, como as que envolveram Antônio Carlos Rodrigues Furtado, morto a socos e pontapés em 2019; Rodrigo Pilha preso e torturado em 2021 por segurar uma faixa contra Bolsonaro; e Marcelo Arruda, abatido a tiros por um bolsonarista enquanto comemorava seu aniversário, tendo Lula com o tema da festa.

A imprensa será mais respeitada se cumprir o seu verdadeiro papel de desmontar falsas narrativas, revelar acordos espúrios por trás das candidaturas e cobrir todos os passos dos candidatos. É fundamental, para que não assistamos à reaparição da cortina de fumaça que beneficiou um Bolsonaro escondido das ruas, que se valeu da convalescência e não deixou à mostra o autoritário, obscurantista, homofóbico e misógino que ele de fato é. 

A vigilância e o envolvimento de todos nós garantirá a integridade da democracia e o começo da grande reconstrução que o país merece viver.

Nós, Jornalistas Livres, coletivo de mídia independente em defesa da Democracia e dos Direitos Humanos, sabemos que a mídia pode ser uma arma contra o povo ou a favor dele. Nós escolhemos o lado do povo e assumimos nosso posto para livrar o país do fascismo, do ódio, da morte. De Jair Bolsonaro. Por isso, chamamos todas e todos os brasileiros a fortalecer a cobertura colaborativa das eleições, enviando informações, fotos e vídeos para o e-mail [email protected]

E vamos juntas e juntos, para as ruas e para as redes, que é onde o povo está. Vamos eleger Lula.

Lula no Piauí - Foto: Ricardo Stuckert
Lula no Piauí – Foto: Ricardo Stuckert

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