CineBaru: cinema como ferramenta de luta

Foto: Clément Villien / CineBaru
Foto: Clément Villien / CineBaru

Texto: Juliana Afonso
Revisão: Lucas Bois

Refletir o cinema-território a partir de olhares diversos e igualitários, dando voz às margens. Esse é um dos objetivos do CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema, que chega à sua 5ª edição somando forças na democratização da produção e do acesso ao audiovisual.

Ao longo de seus 5 anos de existência, o CineBaru já recebeu 682 inscrições e exibiu 150 filmes de forma presencial e remota. Neste ano, entre os dias 28 de abril e 2 de maio, serão exibidos 36 curtas-metragens, sendo 27 na Mostra Competitiva Regional e 9 na Mostra Sertãozin (infantojuvenil). Todos os filmes foram produzidos nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal, o chamado território do sertão baiangoneiro. “O CineBaru reflete sobre o cinema e o seu lugar nos muitos sertões e cidades do Cerrado e da Caatinga”, afirma Isabella Atayde, uma das idealizadoras e produtoras da Mostra.

Foto: Maria Ribeiro / CineBaru

Como forma de somar ao movimento de combate às desigualdades que ainda estão profundamente enraizadas no cinema nacional, a Mostra dedica uma atenção especial a filmes dirigidos por mulheres, negras, negros, indígenas e LGBTQIA+. A maior parte dos filmes exibidos nesta edição foram produzidos por mulheres e pessoas negras.

Na última noite do evento, um júri composto por cineastas, produtores culturais e ativistas anunciará na live de encerramento o melhor filme da Mostra Competitiva Regional e reconhecerá outras três produções audiovisuais com menções honrosas. Os troféus, produzidos pelo artesão Valdiney Carvalho, serão enviados aos ganhadores.

Foto: Divulgação / CineBaru

“A gente sabe que são tempos difíceis. Muitas vezes a gente se encontra um pouco triste, um pouco abatido, desesperançado, mas quando a gente se depara com a potência e a beleza das obras, muitas delas produzidas nesse contexto de pandemia, a gente se sente estimulado a seguir trabalhando no fortalecimento dessa extensa rede de produção cultural do país”, afirma Isabella. Os filmes podem ser acessados de forma gratuita ao longo dos cinco dias do evento pelo site www.cinebaru.com.br.

Produção territorial e escrita afetiva – O CineBaru também realiza atividades de formação e expressão criativa. Uma delas é o projeto Meu cinema, nosso território, com o objetivo de produzir um filme autoficcional com direção coletiva. Foram selecionados cinco diretores residentes no sertão do norte e noroeste mineiro para co-dirigirem um curta-metragem, que será lançado em julho.

Foto: Isabella Atayde / CineBaru

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