Celebração e reconhecimento: seguimos vivos e na luta!

A 7ª Edição do Prêmio Benedicto Galvão consagra e reconhece luta em prol da igualdade racial e contra o racismo e a discriminação.

Por Gabriel Alex Pinto de Oliveira
E ontem, 05 de dezembro de 2018, foi dia de prestigiar a 7ª Edição do Prêmio Benedicto Galvão que consagra e reconhece o histórico de luta dos laureados em prol da igualdade racial e contra o racismo e a discriminação, prêmio este entregue pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo (“OAB/SP”), por meio de sua Comissão de Igualdade Racial presidida pela eminente Dra. Carmen Dora de Freitas Ferreira.
Dentre os agraciados, tivemos figuras destacadas de nossa sociedade em vários seguimentos e, em especial, o Sr. Anderson Luís Cesar de Moraes Rosa, criador e idealizador deste portal, o “Jornal Empoderado”. Mas deixemos às homenagens ao Sr. Anderson por último, antes falaremos do glorioso evento que também fora transmitido pelo Ordem no seu canal no Youtube (confiram lá: https://www.youtube.com/watch?v=LMdF_j3qzVc).
No recém-inaugurado auditório da Sede Institucional da OAB/SP, o seu ilustre presidente em exercício, Dr. Marcos da Costa, recebeu algumas das principais personalidades da comunidade negra brasileira, figuras destacadas e premiadas que têm dedicado suas vidas à inclusão da comunidade negra e ao combate às mais diversas formas de discriminações.
E por quê Prêmio “Benedicto Galvão”? Para quem ainda não conhece sua história, o eminente Dr. Benedicto Galvão foi o primeiro, e ainda único, presidente negro que o OAB/SP teve em toda a sua história. O Dr. Benedicto presidiu a Ordem entre os anos de 1940 e 1941, durante o afastamento do Dr. Noé Azevedo da presidência, ocasião em que o Dr. Benedicto ocupava o cargo de vice-presidente. Infelizmente o Dr. Benedicto viria a falecer dois anos após, em 11 de julho de 1943.
O destacado causídico formou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo no ano de 1907, sendo um dos primeiros negros a integrar os bancos acadêmicos desta prestigiada universidade e, assim, se transformando em uma referência negra de ascensão social por meio do desenvolvimento intelectual.
Quando dizemos que representatividade importa sim, estamos falando de termos pessoas nos mais altos rincões do poder com a mesma capacidade que estas bravas personalidades vêm demonstrando em suas carreiras, para que sirvam de exemplo àqueles que chegam, assim como o Dr. Benedicto Galvão foi referência em sua época.
A primeira a receber o Prêmio Benedicto Galvão este ano foi a instituição “Aristocrata Clube”. A agraciada é uma lendária associação que fez parte da história de luta por igualdade racial da comunidade negra brasileira. Viveu seu auge entre os anos de 1961 e 1986 e foi frequentada por personalidades nacionais e internacionais como Ray Charles, Michael Jackson, Muhammad Ali, Milton Nascimento, Jair Rodrigues e Jorge Ben Jor. O clube reabriu suas portas em maio de 2015 na Avenida Piassanguaba, nº 3.049, Planalto Paulista, São Paulo, muito próximo ao metrô São Judas, com objetivo de voltar a ser referência de autoafirmação e visando a divulgação da cultura afro-brasileira.
Como não destacar também os feitos da Dra. Valdirene Silva de Assis, Procuradora do Ministério Público do Trabalho e Coordenadora Nacional do Coordigualdade, outra personalidade premiada, por sua incansável atuação no Ministério Público do Trabalho ao longo de dezoito anos. A ilustre procuradora conduziu, junto com representantes de outras entidades, a elaboração do Pacto pela Inclusão de Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho em São Paulo, dentre tantas outras iniciativas que ela vem desenvolvendo visando a luta contra todas as formas de racismo e discriminação.
Em sua fala destacou a importância do prêmio como forma de reconhecer o trabalho dos agraciados que servem de exemplo para os jovens negras e negros que estão se formando, ou que ainda irão escolher suas profissões, dando a estes uma referência na qual possam se espelhar.
Ainda tivemos a entrega da premiação ao ilustre Professor Dr. Silvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama (SP), pós-doutor pelo departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Advogado, professor universitário e filósofo, o Dr. Silvio lançou recentemente o livro “O que é racismo estrutural?” pela editora Letramento, no qual discute a construção das noções de raça e racismo no Brasil e como esta questão deve ser analisada como fator estruturante no surgimento da nação brasileira como a conhecemos hoje.
Os demais agraciados pelo prêmio este ano foram: o reverendo Sérgio de Melo, presidente do Instituto Azusa; o Sr. Theo Van Der Loo, presidente da Nelele Consulting; a Sra. Claudia Pereira de Souza, técnica em liderança comunitária e palestrante; o Sr. Robson Miguel, violista, Secretário de Cultura da Estância Turística de Ribeirão Pires; a coronel da Polícia Militar de São Paulo Sra. Helena dos Santos Pires; e por fim, mas não menos importante, o Sr. Anderson Luiz Cesar de Moraes Rosa, jornalista e idealizador do Jornal Empoderado.
O Sr. Anderson Moraes, de trato fácil e de uma amabilidade exemplar, acostumado a entrevistar as mais diversas personalidades e a estar atrás dos holofotes, ontem esteve em destaque por seu trabalho que já completa dois anos de existência.
O Jornal Empoderado, a exemplo do que foi o fenômeno da Imprensa Negra no início do século XX, resgata em suas linhas diárias o protagonismo negro e dá destaque a esse mundo quase paralelo em que vive a nossa comunidade. Com a democratização dos meios de comunicação este e outros portais tem ganhado espaço que outrora fora tomado com o início da Era Getúlio Vargas.
O trabalho do Jornal Empoderado não é somente especial, ele é imprescindível. A grande mídia não consegue e/ou não tem o interesse de cobrir essa mesoesfera social. O Jornal Empoderado resgata isso com primazia.
O trabalho do Jornal Empoderado não só tem se mostrado como fundamental para informar a população sobre os acontecimentos diários como sem dúvida servirá de material histórico para os futuros pesquisadores dos tempos em que vivemos hoje no Brasil.
Que o Jornal Empoderado se perpetue por muitos e muitos anos!
Deixamos aqui nosso carinhoso abraço ao irmão de luta e caminhada, saldando-o e a toda a sua equipe pelo trabalho árduo que tem feito para noticiar a luta diária da comunidade negra por espaço e destaque nos meios de comunicação.


O seu lugar na história já está guardado grito da comunicação, “A Voz da Raça” de nossos tempos.

Mídia democrática, plural, em rede, pela diversidade e defesa implacável dos direitos humanos.

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