Brumadinho: “Acordo é golpe nos atingidos”

25 de janeiro, dois anos do crime da mineradora Vale S/A em Córrego do Feijão, com a morte de 270 pessoas
Foto de Maxwell Vilela

Por Franci Brito e Aloísio Morais, fotos de Maxwell Vilela

Nesta segunda-feira, 25, o crime da Vale S/A no bairro Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG completa dois anos. Pelo menos 270 pessoas morreram e os restos mortais de 11 delas ainda estão desaparecidos em meio à lama despejada com o rompimento da barragem da mina. Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros segue nos trabalhos de localização dos corpos ou vestígios dos desaparecidos, como mostram as fotos de Maxwell Vilela anexas a este texto.

Na última sexta-feira, 22, representantes da Vale S/A e do governo de Minas estiveram reunidos mais uma vez para discutir o valor da indenização a ser paga ao Estado, mas, novamente, não chegaram a um acordo. Enquanto isso, os moradores atingidos direta ou diretamente pelo crime vão lutando pela manutenção do auxílio emergencial e indenizações.

Para Joseli Andreoli, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o modelo de Acordo entre a empresa Vale S/A e o Governo de Minas Gerais discutem representa “um golpe nos atingidos”. Segundo ele, a ação que corria na Justiça apontava para que a mineradora deveria pagar R$ 54 bilhões para reparar os danos humanos, econômicos e ambientais decorridos do rompimento da barragem-1 do bairro Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG.
No entanto, no acordo a mineradora propôs pagar cerca de R$ 21 bilhões. Sendo R$ 16,45 bilhões para realização de obras em Belo Horizonte, distante 60 km de Brumadinho, R$ 3 bilhões para recuperação ambiental e R$ 2,2 bilhões para indenizações às famílias dos mortos e demais atingidos. “Essa manobra entre Vale e Governo, inclui perdas das Assessorias Técnicas que realizam levantamento dos dados nas regiões afetadas e também perícias independentes feitas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), observa, Andreoli .


Em entrevista online, a ex-pescadora Joelísia Feitosa relata que não se sente contemplada pela Justiça. “Tenho medo do desfecho pouco significativo como ocorreu em Mariana. Até hoje centenas de vítimas não foram reparadas”.
É importante lembrar, ainda, que, em Minas Gerais, 20 municípios (com cerca de 1 milhão de pessoas) vivem em áreas dependentes direta ou indiretamente do trabalho com as mineradoras. Em recente entrevista à TV UFMG, Virgínia Ciminelli, professora do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (UFMG) disse que “a ausência do Estado em seu papel de planejar e fiscalizar as empresas mineradoras preocupa toda sociedade”.

Ainda hoje as máquinas removem a lama em busca de corpos

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