Braga Netto, vice de Bolsonaro, recebeu meio milhão de salário no pico da pandemia

De acordo com uma denúncia realizada pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), o candidato a vice de Bolsonaro recebeu quase R$1 milhão em salários no ano de 2020

O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, recebeu 926 mil reais em dois meses de 2020. O ministro da Secretária-geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, e o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque também são acusados de receberem supersalários nos picos da pandemia de Covid-19 no país. De acordo com relatórios obtidos por meio do Portal da Transparência, militares e pensionistas obtiveram benefícios de quase R$1 milhão pagos em um único mês.

Por Camilla Almeida

O teto constitucional de salários para serviços públicos é de R$39,2 mil e Braga Netto recebe R$31 mil como general da reserva do Exército. Contudo, de férias, o general ganhou uma remuneração de R$120 mil, além de “adicionais não recebidos ao longo da carreira”. Ramos e Albuquerque, que tem um salário de R$35 mil, obtiveram ganhos exorbitantes de R$731,9 mil e R$1 milhão, respectivamente, durante o auge da pandemia – período no qual 23,1 milhões de brasileiros estavam em situação de pobreza.

Juniti Saito, tenente brigadeiro da reserva e ex-comandante da Aeronáutica, recebeu um total de R$ 1,4 milhão, durante o mesmo período. A Marinha contesta o valor divulgado pelo Portal da Transparência, alegando que o valor recebido pelo tenente é de R$ 717 mil.

Em 2019, o presidente permitiu que integrantes das Forças Armadas recebessem oito vezes o valor de sua remuneração quando passassem para a reserva, a título de indenização. Além disso, uma portaria sancionada por Bolsonaro em maio de 2021 autorizou salários acima do teto para servidores federais aposentados e militares da reserva. Luiz Eduardo Ramos, que é ex-ministro da Casa Civil e um dos políticos mais próximos a Bolsonaro, só foi para a reserva após a aprovação dessa portaria. 

Em nota, as Forças Armadas justificaram que os supersalários são fundamentados em instrumentos legais e que não há nenhuma ilegalidade nos pagamentos. Ramos alega que suas remunerações têm “caráter indenizatório ou de ressarcimento relativos à sua ida para a reserva”. Já Bento Albuquerque e Braga Netto não se pronunciaram sobre seus ganhos. 

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