Bolsonaro saqueia cofres públicos na tentativa de comprar votos e se reeleger

Para fisgar o eleitor, Bolsonaro tira bilhões de reais do Tesouro e arruína as contas públicas, como se não houvesse amanhã
Jair Bolsonaro está cada vez mais perto do fim - Foto: Reprodução
Presidente: tentando ganhar a eleição e salvar a própria pele

Por Patrícia Zaidan

O presidente da República parece ter acordado só agora, enxergando à sua volta um país terrivelmente empobrecido, resultado de 4 anos do seu governo. De última hora, despeja dezenas e dezenas de benefícios para resgatar o povo que ele afundou na doença, no desemprego, na fome e na desesperança. Aciona a máquina pública não por senso de responsabilidade. Na verdade, Bolsonaro está tentando comprar votos. Invade a consciência das pessoas, enfia nelas o seu pesado coturno, querendo empurrá-las para votar nele. Fascista!

O jornal “Valor Econômico” fez um desenho do gigantesco uso do dinheiro público por parte de Jair Bolsonaro, candidato do PL à reeleição. Neste ano eleitoral, o presidente implantou medidas para recuperar a economia, impactando os cofres públicos em pelo menos R$ 68 bilhões. Pode-se considerar um estelionato eleitoral. Por que não disponibilizou o dinheiro antes, preferindo incendiar a lavoura e, depois das cinzas, chamar os bombeiros?

Na operação cata-votos, permitiu que as micro e pequenas empresas renegociassem R$ 20 bilhões em dívidas tributárias e ofereceu a elas R$ 87 bilhões de créditos. Passou o rodo no FGTS, jogando R$ 30 bilhões no colo dos trabalhadores e fez uma tacada suja em cima dos que recebem o Auxílio Brasil. Eles podem contrair empréstimo consignado, dando o benefício como garantia. É uma forca, cuja corda apertará o pescoço assim que passar a eleição, quando restará uma dívida impagável do pobre com o banco. 

De que adiantou o Ministério Público contestar a medida no Tribunal de Contas da União, e o Tribunal recomendar a suspensão do vergonhoso consignado? Nada! A Caixa já colocou R$ 1,8 bilhão na mão dos desesperados que fazem fila na porta das agências do país inteiro. A sanha abusadora e assediadora do ex-presidente Pedro Guimarães ainda norteia as coisas por lá. A Caixa faz sedutores anúncios do empréstimo, vendendo boias para afogados como algo bonito, leve e acessível. É crime contra a economia popular, o que Bolsonaro comete.

Tentando falar com as mulheres que o desprezam

Para enfrentar Lula, o seu oponente petista, Bolsonaro faz chover dinheiro e desequilibra a disputa. Acenou com o 13º do Auxílio Brasil só para as mulheres, em 2023. Nunca havia se preocupado com este público. Pelo contrário, odeia, menospreza, passa a motociata sobre o corpo delas. Só notou o peso das mulheres quando as pesquisas mostraram que o eleitorado feminino o rejeita mais do que qualquer outro. 

Sua casa Verde Amarela, que ele diz ter planejado pensando nas mães, é miragem, nunca existiu. Mas recentemente Bolsonaro anunciou a possibilidade do uso de depósitos futuros do FGTS, que ainda não existem, para obter financiamento da casa própria. Justo ele, para quem gente morando na rua, “pedindo comida no caixa da padaria” é ficção.

Vale tudo nesta reta final de campanha, a mais sangrenta da nossa história. Vale mentir que prorrogará em 2023 a desoneração dos combustíveis, uma vez que o Congresso aprovou a medida só para este ano. Vale simular um controle sobre a inflação, sobre o preço do gás de cozinha e da energia elétrica. Vale ainda estender o Auxílio Caminhoneiro. Os aliados querem mais, muito mais promessas e pirotecnias do presidente para que, com ele, se elejam governadores como Onyx Lorenzoni (PL), que caiu nas pesquisas e pode perder para Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul. O mandatário está se lixando para a dura realidade, pouco se importa se haverá dinheiro em caixa para cobrir as promessas. O que fará depois, com as contas públicas, não lhe tira o sono.

Depois do golpe contra Dilma, do qual Bolsonaro participou com gozo de torturador, ele e o seu Centrão usavam como desculpa o Teto de Gastos, estabelecido no governo do traidor Michel Temer, para não atender os movimentos sociais, as mães, os negros, os indígenas, os LGBTQIA+.  Não deram educação e saúde porque o teto era intocável. Nos últimos dias, têm furado o telhado não pelo povo, mas pelo baixíssimo clero da política, que gruda as unhas no Planalto, balança, mas não quer cair do poder. Ao povo, os ossos.

As últimas cartadas para salvar a própria pele

“PEC das Bondades” é pouco. Bolsonaro age na ilegalidade e na imoralidade como se não houvesse amanhã. Sabe que o amanhã trará para ele, para sua mulher, para seus filhos o amargo gosto da punição. Eles serão alcançados pela Justiça, não há dúvidas. O chefe do clã sabe dos grandes riscos que corre, por isto aposta tudo para que o dia do ajuste de contas nunca chegue. Por isto segue em sua saga hedionda buscando ganhar a eleição a qualquer preço.

Não há quem possa deter um Bolsonaro enfurecido senão o povo, o principal obstáculo, o adversário a quem ele, verdadeiramente, teme e quer derrotar. Basta o eleitor olhar nos olhos do presidente e crer que quem está com o poder na mão é o povo. Só precisa materializar na urna aquilo que sente e sabe: é baixo demais, rude demais, torpe demais alguém querer comprar a sua consciência e a sua dignidade.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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