Bolsonaro finge não ser responsável pelo preço dos combustíveis

Mandatário segue buscando culpados, para esconder da população que o principal responsável pelo aumento é ele próprio

O presidente Jair Bolsonaro continua fingindo preocupação com o constante aumento dos combustíveis e buscando um “bode expiatório” para se redimir da culpa. Dessa vez, o mandatário demitiu o ministro das Minas e Energia de seu próprio governo, Bento Albuquerque, nomeando o economista Adolfo Sachsida em seu lugar. Sachsida era chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia e foi indicação de Paulo Guedes.

O motivo da demissão parece ter sido o aumento do diesel, que atinge diretamente uma importante base eleitoral de Bolsonaro: os caminhoneiros. E este aumento se deu dias após a Petrobrás anunciar mais um super lucro, de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 38 vezes maior que o do mesmo período do ano anterior.

O que o mandatário “esquece” de dizer é que ele é o maior responsável pelos preços estratosféricos dos combustíveis e gás de cozinha. Só em sua gestão, de janeiro de 2019 a 9 de maio de 2022, houve aumento nas refinarias de 155,8% na gasolina, 165,6% no diesel e 119,1% no GLP. E a maior responsável por isso é a política de preços da Petrobrás, adotada por Temer em 2016 e mantida pelo governo Bolsonaro, chamada Preço de Paridade de Importação (PPI), que considera o valor do barril de petróleo e do dólar para precificar os combustíveis no Brasil, desconsiderando o custo nacional de produção – 94% do petróleo utilizado em nossas refinarias é da Petrobrás – apenas 6% do óleo é importado e utilizado em algumas refinarias para otimizar a produção, de acordo com informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Em nota, a Federação explica que a União, enquanto acionista controladora da Petrobrás, pode mudar esta política de preços. “O PPI não é lei, é decisão do Executivo”, disse Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP. “Mais uma vez Bolsonaro continua buscando um bode expiatório para uma decisão que cabe somente a ele, que é mudar a perversa política de preços dos combustíveis”, completou o sindicalista, provocando o presidente da República – “Se Bolsonaro está tão incomodado, porque ainda não anunciou um subsídio de estabilização usando os dividendos bilionários que o governo ganhou como acionista da Petrobrás no lucro recorde da companhia?”.

O aumento dos preços dos combustíveis é um dos principais motivos de a inflação continuar disparando, atingindo no último mês o maior índice desde 1996. Em doze meses, a inflação bateu 12,13%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, anunciado nesta quarta-feira,11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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