CASO FELICIANO: B.O. mostra bancada evangélica tentando calar vítima de estupro

A jornalista Patrícia Léllis menciona “coação” e “ameaça de morte” feita por políticos ligados ao Partido Social Cristao (PSC). O B.O. cita a participação do pastor Everaldo, líder do PSC, do deputado Gilberto Nascimento (que concorreu à vaga de Cunha), do chefe de gabinete do deputado Marco Feliciano e de outros dois parlamentares

A jornalista Patrícia Léllis menciona “coação” e “ameaça de morte” feita por políticos ligados ao Partido Social Cristao (PSC). O B.O. cita a participação do pastor Everaldo, líder do PSC, do deputado Gilberto Nascimento (que concorreu à vaga de Cunha), do chefe de gabinete do deputado Marco Feliciano e ainda de outros dois parlamentares

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Patrícia denuncia Talma Bauer por ameaça de morte (centro) e Feliciano por estupro

O boletim de ocorrência registrado pela jornalista de 22 anos ­– que acusa o deputado federal Marco Feliciano de estupro – também trata de sequestro, cárcere privado e coação no curso do processo.

Membros do Partido Social Cristão (PSC) são citados em vários trechos do documento. Além de parlamentar, Feliciano é presidente da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Conferencista Internacional, escritor e cantor.

De acordo com o boletim, no dia seguinte à violência no apartamento do deputado Marcos Feliciano, o pastor Everaldo, presidente do PSC, procurou a estudante e ofereceu “uma quantia em dinheiro que estava no interior de uma sacola dizendo que a vítima poderia apropriar daquela quantia”.

O chefe de gabinete do Pastor Marco Feliciano, Talma Bauer, é amplamente mencionado no B.O. Segundo o documento, ele perguntou para Patrícia “quanto ela queria ganhar para esquecer todo o ocorrido, asseverando ainda que, caso ainda não quedasse silente, poderia ‘sair perdendo’”. Ou seja, era melhor que a jornalista ficasse bem quietinha.

Uma mulher, apresentada no B.O. apenas como “Denise do PSC”, foi procurada em duas ocasiões pela vítima. Assim que houve a violência no apartamento de Marcos Feliciano e depois de conversas com Bauer.  A presidente nacional do PSC Mulher chama-se – por coincidência – Denise Assumpção. Segundo o B.O., foi Denise quem agendou uma reunião com a garota e a cúpula do partido.

Nesse encontro, diz o documento, estavam presentes Denise, o Pastor Everaldo e outros três parlamentares. Um deles era o deputado federal Gilberto Nascimento, ex-delegado da polícia civil, indiciado pela PF no escândalo das sanguessugas, esquema de corrupção que desviava recursos federais para a compra de ambulâncias superfaturadas. Gilberto ganhou recente notoriedade por ter se candidatado à presidência da Câmara dos Deputados no lugar de Eduardo Cunha. É figura proeminente no PSC. A vitima diz não se lembrar dos nomes dos outros dois parlamentares do partido.

Ao final desta reunião, a Patrícia conta que o Pastor Everaldo a segurou pelo braço e disse em seu ouvido que achava melhor que ela ficasse quieta. A garota foi desligada do partido logo em seguida.

COAÇÃO

No final de julho, quando a história já tinha vazado no facebook, a jornalista foi para São Paulo. De acordo com o depoimento de Patrícia, sabendo disso, Bauer, o chefe de gabinete de Feliciano, ameaçou matar sua família caso não informasse seu paradeiro exato. Ela contou que estava no Hotel San Raphael, no centro da cidade.

Foi a filha de Bauer, de acordo com o B.O., quem foi até o local obrigar a garota a gravar um vídeo dizendo que o post da página do Facebook e outras notícias que envolvessem Marcos Feliciano eram mentirosas. O vídeo foi feito no celular de Cíntia. Também teria sido exigência de Bauer o fornecimento das senhas de Instagram e Facebook e a postagem de uma foto da jornalista com seu namorado no Face, dizendo que estava tudo bem. Internautas não se convenceram e deixaram isso claro em comentários nas redes sociais.

Bauer, então, foi pessoalmente ao hotel. Estava armado. Exigiu gravação de novo vídeo e obrigou a garota a entrar em seu carro. Rodou pela cidade e parou numa praça para a vítima gravar um vídeo como selfie de seu próprio telefone. Ela tinha de dizer que tudo o que estava sendo veiculado sobre seu nome e de Feliciano era mentira e aquilo se tratava de uma ação da ala esquerda da política para prejudicar o deputado federal. Também era preciso enaltecer o parlamentar.

O homem de confiança de Feliciano, ainda com as senhas da garota, a impediu de ir embora, e postou o vídeo no Facebook. “No hotel, manteve a vítima ao seu lado mediante grave ameaça”, diz o B.O. Ele respondia aos comentários de internautas por ela. Só de noite deixou a garota subir para o quarto. Mas, nesse mesmo dia, na hora do jantar, Bauer procurou Patrícia novamente e a obrigou a usar o WhatsApp para dizer a amigos que estava bem.

No dia seguinte, de novo, Bauer estava lá no hotel. Perguntou se a Patrícia não tinha contado nada para ninguém, elogiou o comportamento dela e disse que assim estaria garantindo a segurança de sua família. Ele ainda almoçou com a jornalista e, antes de ir embora, a mandou ficar em silencio e a postar fotos no Instagram e Facebook para tranquilizar seguidores.

O B.O. deixa claro: “A vítima informa que durante todo o tempo, Bauer a ameaçava de morte e ainda dizia que a vítima deveria colocar seu preço para esquecer todo o ocorrido.”

O OUTRO LADO

O ainda deputado Marcos Feliciano publicou em suas redes sociais um vídeo em que se diz inocente das acusações da jornalista Patrícia Léllis. Ele pede a confiança de todos os fiéis da sua igreja. No vídeo, ele apareceu ao lado de sua mulher, Edileusa.

#RepresentaSatanás

#FelicianoNaCadeia

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