Ataque aos indígenas: o Brasil corre perigo

Série de Projetos de Lei visam destruir as poucas conquistas dos povos indígenas do Brasil. Pautas estão na Câmara, Senado e STF
Fogo em território indígena. Uma das formas de agressão do agronegócio contra os povos tradicionais

As PL 490/07, PL 2633 e PL 984 se confundem com outras PLs que colocam uma corda no pescoço de brasileiros, gente carente e humilde, indígenas que moram nas florestas, nas ribeiras e no campo próximos de garimpos. Gente que vive o inferno de confiar todos os dias nos representantes do povo no Governo e no Senado.

A ESTRATÉGIA DOS GENOCIDAS.


A Bancada do Agronegócio quer o fim da autonomia dos povos indígenas que o Brasil homenageia pelo menos uma vez por ano. O indígena, conhecido como índio brasileiro, o último defensor da floresta e de nossas riquezas mais importantes, está em perigo há 1500 anos desde que o invasor pisou no Pindorama. Assaltou, matou, estuprou e expulsou os povos originários de todas as formas. Pombal lhes tirou os nomes de locais. Trocou nomes tupis por nomes de Santos portugueses. Parte estratégica do genocídio. Fazer o país e os brasileiros esquecerem suas raízes também faz parte da estratégia dos genocidas.

Crianças Tembé Tenetehar na Aldeia Cajueiro no Pará. O fogo do pasto traz a escasses da caça e afeta até a água dos rios.

E o Genocídio nunca esteve tão claro como nesses últimos anos. Salles quer passar sua boiada aproveitando a pandemia como cortina  de fumaça. Aproveitar as mortes e a CPI da Covid para passar Projetos de Lei como a PL 490 de Homero Pereira, ruralista e defensor do Agronegócio, falecido de um câncer, mas que tinha o sonho de retirar das mãos indígenas o direito de ter a posse de suas terras colocando a demarcação à disposição do congresso e de homens engravatados que respiram e anseiam a devastação da Amazônia com urgência.
Essa é a pauta urgente desses homens criminosos:

ENTENDA A PL 490.

Foto: Adi Spezia/Cimi

Terras indígenas serão demarcadas por meio de leis. Se a proposta for aprovada, a competência para determinar a demarcação das terras indígenas passa a ser do Congresso.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Tradução: o congresso quer retirar a posse dos indígenas de áreas demarcadas há décadas e passar a posse para o agronegócio, o garimpo e para grileiros. Para entender melhor é só imaginar que sua casa tem 20 anos em sua posse. Você tem a escritura e pagou durante anos o IPTU. Mas o congresso decidiu que sua casa não é mais sua e vai passar a posse para uma empresa de shopping centers que pretende derrubar seu imóvel e construir uma garagem.

POR QUE?

Um buraco gerado pelo negócio predatório do garimpo. Água e animais conraminados. Poconé MT.

O Agronegócio, o garimpo e a grilagem são os principais negócios que sustentam políticos e suas candidaturas no país inteiro. São negócios que criam currais eleitorais através da utilização criminosa da miséria de um povo carente e não são fiscalizados pelo governo federal da mesma forma que outros negócios no país. 
Madeireiros recentemente usaram a ajuda do próprio ministro Ricardo Salles que liberou uma carga histórica de uma apreensão de madeira em nosso país. A intromissão de Salles resultou em uma denúncia feita pelo ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva. As denúncias são de:

  • ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
  • ADVOCACIA ADMINISTRATIVA
  • OBSTRUÇÃO DE INVESTIGAÇÃO
Ministro Ricardo Salles posa em frente à madeira apreendida no Pará.
Crédito: Reprodução/Instagram

O que Salles fez foi liberar o roubo de milhares de metros cúbicos, toneladas de madeira, que não deveriam ter sido cortadas da natureza, mas que foram usurpadas de dentro de áreas que são protegidas e que têm, de acordo com cientistas e estudos ambientais, motivos para não serem extraídas do solo, protegidas por leis que regem nossa constituição e que deveriam valer para políticos e empresários também. 

PL 2.633

É o Projeto de Lei que apoia a grilagem e que pretende tratar a regulamentação fundiária no país. Mas os mesmos envolvidos na regulamentação são os mesmos que invadem as terras indígenas. A regularização serve para o invasor e para o grileiro. É criminosa e apoia um crime que ocorre nas áreas rurais onde, mais uma vez, a fiscalização favorece o ruralista, o garimpeiro e o agro empresário. 

PL 984

Pretende fazer passar uma estrada chamada Estrada do Colono por dentro do Parque Nacional de Iguaçu no Paraná. Uma área verde gigante que chega até o território argentino e é administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

A tal estrada, fechada há décadas é desses empreendimentos usados como argumento eleitoral e promessas de ser uma obra que visa o progresso e é sempre o progresso que traz a certeza de passar por cima de qualquer bioma, espécie ou povo sem se importar com o impacto que o tal progresso trará para o local. No caso, o Parque do Iguaçu é patrimônio da humanidade de acordo com a UNESCO. Outro entrave no Projeto de Lei são os indígenas, moradores da área protegida. 

BRASIL EM PERIGO 

Área preservada em Poconé sendo invadida pelo garimpo que desrespeita leis municipais, estaduais e federais com o aval do governo genocida.
Garimpo urbano em Cachoeira do Piriá. A utilização de dinamite é constante causando a morte de garimpeiros e até o desmoronamento de prédios públicos como escolas.

O povo brasileiro original está em risco há anos. São décadas lutando por igualdade e por respeito na área rural.

A OIT 169 é a convenção internacional que garantiria proteção e direito de consulta para esses povos Indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Baseia-se no respeito pela cultura, modo de vida assim como o reconhecimento de seus direitos à terra e aos recursos naturais assim como seu direito a ter voz nas decisões sobre seus territórios. Mas a realidade é outra. Não há respeito pela oit 169. O que há é um projeto que o Governo de Jair Bolsonaro coloca em prática desde sua posse. O projeto de morte e de devastação. O projeto é claro. As queimadas de 2020 são a prova. 

O Brasil precisa de brasileiros que vivam nas cidades e que digam não a esses projetos de morte para que os brasileiros que vivem nas florestas, quilombos e ribeiras vivam.

Veja também: Como foi de fato a visita de Jair Bolsonaro à terra dos Yanomami?

Estudo: Com Bolsonaro, destruição causada pelo garimpo em território Munduruku cresceu 363%

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