Alunos ganham tempo para deixar o Crusp

A Juíza Paula Michelrtto Comett, em audiência de conciliação virtual, decidiu que os moradores do Bloco D do Conjunto Residencial da USP (Crusp) não serão despejados do local neste mês. O acordo aconteceu após a primeira audiência para decidir como se dará o processo de desocupação do Bloco, principal motivo da ação civil movida pelos moradores.


No final de julho, os alunos foram informados de que precisariam desocupar o prédio para reformas. Por conta do prazo -teriam até 15 de agosto para saírem- e do valor de R$ 500,00 oferecido como auxílio-moradia, entraram com a ação e conseguiram a audiência.


Pedro Teixeira, diretor do Departamento Jurídico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, participou da audiência com os moradores e explicou o resultado. “A USP apareceu na audiência de conciliação com dois procuradores que não tinham poder de conciliar, ou seja, eles não tinham como transacionar processualmente ou celebrar acordos judiciais”, disse Teixeira.


Segundo ele, a USP se comprometeu não cortar a luz e a água dos estudantes. “É realmente isso. Tenho certeza que ela (USP) não fará isso”, afirmou a juíza. Mas os moradores do bloco D encaminharam imagens onde se pode ver a colocação de tapumes e outros indícios de inicio da obra.


“Nós esperamos que seja assim mesmo. Não temos nenhum problema em desocupar para reformar. A questão principal é desalojar pessoas no meio de uma da pandemia. A USP saiu da audiência citada e intimada a apresentar contestação”, falou Teixeira. Esse prazo acaba na segunda-feira (30/8).

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Apesar da audiência ter sido marcada, a USP iniciou desde a semana a instalação de tapumes e outras estruturas. O segundo semestre teve início dia 23, por conta de alterações no calendário causadas pela Covid-19. A reforma do Crusp é uma necessidade, principalmente a cozinha, que tem problema de manutenção, que inclui sobretudo sua parte. Houve falta d’água no último verão.


O estudante Pi, da FFLCH, de 28 anos, explica como se deu o processo. “Cheguei no Crusp na metade de 2018. Tinha muitos problemas. Só na metade de 2019 a reitoria da USP fez uma reunião. Até pouco tempo, não tinha internet no Crusp, que só foi instalada recentemente. Durante a quarentena recebemos a internet móvel. Nessa reunião se falou da internet e também da reforma na parte estrutural”, relata o aluno.


Pi conta que na época da reunião disseram que se houvesse algum tipo de realocação ela seria parcial e bem estudada. “A gente não desconfiou que fariam todo mundo ter que sair ou algo assim. Um dos problemas que temos aqui é com a Superintendência de Assistência Social (SAS), que só se comunicou com quem é morador regular, com documentação. Quem não tem documentação não foi nem notificado”, diz Pi.

CRUSP

O Conjunto Residencial da USP (Crusp) foi criado em 1963 para alojar os atletas dos Jogos Panamericanos em São Paulo. Quando terminou a competição esportiva o Crusp foi invadido por alunos sem condições de pagar os altos aluguéis da capital paulista.

O Crusp transformou-se em um centro ativo do Movimento Estudantil. Após o golpe militar em 31 de março de 1964, se tornou um local de resistência e contestação ao regime militar.


Na madrugada de 17 de dezembro de 1968, apenas quatro dias após a promulgação do Ato Institucional número 5, o Crusp foi atacado por tanques do Exército. Centenas de estudantes foram presos dentre os 1.400 residentes oficiais. Muitos haviam escapado porque já haviam viajado para as festas de Natal e Ano Novo com as famílias. O Crusp foi fechado e um IPM foi aberto pelo Exército para apurar as agitações.

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