A quem serve o governador gay Eduardo Leite?

Pedro Bial fez o que a Famiglia Marinho com certeza pediu: levantou a bola para o governador gay Eduardo Leite se lançar nacionalmente
O governador Eduardo Leite, que saiu do armário no programa de Bial
O governador Eduardo Leite, que saiu do armário no programa de Bial

Pedro Bial fez o que a Famiglia Marinho com certeza pediu: levantou a bola, a deixou quicando na pequena área e o governador “mais jovem do Brasil, mais isso e aquilo”, Eduardo Leite, marcou seu gol e se lançou com a ajuda do ex-animador do Big Brother como candidato da terceira via às eleições presidenciais de 2022.

Por Sérgio Kraselis

Eduardo Leite falou da polarização Lula/Bolsonaro, da falta de integridade na política, e do momento em que “por não ter nada a esconder” se assumiu gay. Corte para Pedro Bial que arregalou teatralmente seus olhos fingindo espanto tal e qual um comediante medíocre.

Aproveitando a deixa, Leite citou mensalão, petrolão, rachadinhas, etc. “Não quero ser mito, nem salvador da pátria”, foi uma de suas frases media training. Bial, como bom sabujo, babou. Leite disse que avalia entrar com queixa-crime contra Bozo por declarações homofóbicas. Fez discurso eleitoral, disse que apoia causas homossexuais, transexuais, negros e blá blá blá, que preza a diversidade, que tem uma secretária-adjunta de Cultura transexual, a primeira do RS.

Um dos momentos patéticos e previsíveis do programa: a exibição de um vídeo caseiro com ele tocando no pandeiro uma canção natalina com o pai e irmãos. Foi a deixa para dizer a Bial que teve apoio natural da família à sua orientação sexual, que apresentou o namorado à família no ano passado, que estão namorando há nove meses, que o amado é um médico do Espírito Santo, pediatra, que trabalhou em hospital de campanha. E o governador assumido gay, Eduardo Leite, que namora um médico elogiou os profissionais de saúde que trabalham na pandemia.

Um roteiro bem trabalhado e ensaiado

A TV Globo estaria criando um novo Collor, agora um gay, que não terá o sambódromo para desfilar como caçador de marajás, mas como paladino da integridade (foi a palavra mais repetidamente martelada na “entrevista”)? Sobre o possível impeachment de Bolsonaro, o governador disse que existem fatores fortes, mas como um bom tucano ficou em cima do muro. E aproveitou para falar dos direitos da comunidade LGBTQIA+.

Ilustração, Maíra da Natividade – Instagram @morcega.miope

Enfim, o assunto promete. Essa entrevista precisa ser decupada e analisada, talvez fique pra História (apresentando o tão procurado futuro pré-candidato terceira via). As redes sociais, principalmente o Twitter, estão ouriçadas com a saída do armário do governador gaúcho. Discussão é o que não falta. A Globo vai se valer disso. Se for mesmo a aposta dela, e o programa do Bial serviu como balão de ensaio, Leite vai tomar café da manhã com Ana Maria Braga, tocar pandeiro com Fátima Bernardes, quem sabe levar o namorado junto. Por tudo isso não acreditamos simplesmente na “incrível notícia” de que o governador Eduardo Leite, de um dos Estados mais machistas e homofóbicos do Brasil resolveu enfrentar tudo e todos, com o apoio da família, e se assumir gay exatamente no mês do Orgulho Gay. Pode ser mais uma das armadilhas da Direita desesperada e sem candidato, que não tem nada a oferecer ao Brasil. O jeito é apelar mais uma vez.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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