A pequena África paulistana, Casa Verde Afro Diaspórica, celeiro de bambas

O livro “Casa Verde: uma pequena África paulistana”, do autor, compositor, sociólogo, pesquisador, diretor presidente do Instituto Samba Autêntico e capoeirista Tadeu Kaçula.

O livro Casa Verde, Uma Pequena África Paulistana, do sociólogo e sambista Tadeu Kaçula, revela um território urbano de grandes personalidades da cultura e do esporte, nomes fundamentais da inteligência e talento do povo paulistano. 

No passado, foram terras de índios os morros às margens do rio Tietê, na capital de São Paulo. Lá formaram-se as antigas fazendas, onde hoje espalha-se a metrópole.  Havia trigo, cevada, vinha, algodão, cana, marmelo e chá. Grande plantio de café dava-se na fazenda Casa Verde.

Onde era fazenda vasta, hoje está edificado um bairro de grandes dimensões territoriais, o bairro da Casa Verde, suas ladeiras e vielas, vilas e parques, avenidas tecidas entre muitos terrenos adquiridos pela Frente Negra Brasileira, criada na década de 1930, organização do movimento negro, responsável pela aquisição dos lotes que tinham sido disponibilizados para venda, no novo bairro que se formava e seus subdistritos, arregimentando e incluindo socialmente as famílias negras que estavam sendo expulsas da região central da cidade.

Coletivo ZN Afro Diaspórica
Adilson, Xandão e Kaçula

Território preto na vastidão paulistana, na Casa Verde Alta nasceu o Coletivo Zona Norte Afro Diaspórica, destinado ao fomento de ações sociais e da Cultura Afro na região norte da cidade. Seu berço é a praça Santíssima Trindade, na rua Aburá e região. O Coletivo realizou a I Semana da Consciência Negra da Casa Verde e a Feira Cultural Afro Diaspórica, no último dia 20.

Coletivo ZN Afro Diaspórica
Lucas Fiu e Tadeu Kaçula
Coletivo ZN Afro Diaspórica
Vera, Tereza, Katia, Elayni, tudo é canto e reverência
Invade com abraço algo livre na cidade

Fui surpreendido com o pequeno palco e um cenário de desenhos e retratos, arte pulsante criada para o evento, no feriado do Dia da Consciência Negra, na praça. Um povo lindo ocupando a rua, as crianças num desfile de moda, e os figurinos da ONG Cultural e Recreativa Dom Bento, num despertar de consciência, tantas cores numa gente grandemente simples, uma felicidade de resistência na cara de todos. A música santa de tambores e ritmo forte que move independente o corpo, algo que vive dentro da gente.

Olhar, movimento e cores na geração que se levanta
 Coletivo ZN Afro Diaspórica
Kátia, organizadora e integrante do coletivo ZN Afrodiaspórica
O sorriso leve e o orgulho da consciência negra ocupam a passarela

Lugar singular na metrópole que avança, renova-se, diáspora que une.

COMENTÁRIOS

  • PARABÉNS AOS ORGANIZADORES DO EVENTO FOI TUDO MARAVILHOSO, O DESFILE E O GRUPO DE DANÇA DAS CRIANÇAS DA ONG DOM BENTO FOI DE ARREPIAR, NOTA 10 A TODOS.

  • Boa tarde!
    Gostaria que fosse incluindo o nome da Ong Dom Bento que é a responsável pelo figurino e o desfile das crianças que participaram do evento.

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