Pearl Jam põe tucano com arma em favela carioca

Poster da apresentação da banda estadunidense hoje no Rio de Janeiro remete à intervenção militar no estado

O poster do show da banda Pearl Jam hoje (21 de março) no Rio de Janeiro traz como tema a intervenção militar no estado. Seu vocalista, Eddie Vedder, sempre foi um ativista das causas sociais, em sua maioria de esquerda (de sua geração, talvez apenas o Rage Against the Machine rivalize nesse quesito). É bastante provável, portanto, que ele se manifeste sobre o assunto e sobre a execução da vereadora do Psol Marielle Franco.

O autor da imagem é Ravi Zupa (https://www.facebook.com/RaviAmarZupa/?fref=mentions). Em nota sobre sua inspiração para o desenho, Zupa diz ser “uma homenagem ao Rio de Janeiro – especialmente aos moradores das favelas que, apesar da desigualdade obscena, encontram maneiras de construir cidades nas encostas das montanhas”. Sobre a escolha dos animais nos potes de cerâmica (tema recorrente em seu trabalho), ele disse ter retratado espécies de pássaros nativos do Brasil: tucano, papagaio e bem-te-vi.

Sem conversar com o autor é impossível saber seu nível de conhecimento da realidade brasileira atual. E muito menos da política nacional. O inconsciente coletivo, no entanto, permeia sempre nossas produções artísticas e culturais, influenciando tanto a criação como a interpretação.

As leituras semióticas possíveis são muitas. Além da óbvia militarização da favela, temos em primeiro plano o pássaro símbolo do PSDB, sócio de primeira hora do então PMDB no golpe de estado, portando uma AK47. Logo atrás, à direita, o papagaio remete ao clássico personagem, Zé Carioca, criado pelo próprio Walt Disney na década de 1940 em meio às estratégias da embaixada dos Estados Unidos para conseguir o apoio do Brasil aos Aliados contra a Alemanha Nazista. O “malandro carioca” já não é um personagem simpático. O verde do papagaio pode facilmente lembrar as fardas do exército. Como as cores naturais estão diferentes no desenho, as novas gerações podem tender a associar a ave a outra espécie e outro personagem: a arara Blue, do filme Rio, de Carlos Saldanha. Nesse caso, o substantivo compunha, durante a ditadura, um outro sentido com mais uma palavra: pau de arara.

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