Estupro corretivo, lesbofobia e rebuceteio: L, O Musical

Musical aborda questões lésbicas através do drama e do humor

Lesbofobia. Escutar esta palavra, que diariamente é ignorada, em um espetáculo é muito importante para a comunidade lésbica. L, O Musical, estrelado por Elisa Lucinda, Ellen Oléria, Gabriela Correa, Luiza Guimarães, Tainá Baldez e Renata Celidonio, passeia por todos os conflitos enfrentados por mulheres que amam mulheres. Com o máximo respeito e cuidado, a trama passa por temas como a descoberta da lesbianidade; a paixão mantida por anos; o rebuceteio (ou REBUCETATION, como chamam na peça); a lesbofobia; e a não-conformidade com os papeis de gênero.

De forma espetacular, a personagem Simone leva a platéia um dos maiores conflitos da vida de uma mulher lésbica: lidar com as violências cotidianas enfrentadas por ser mulher e por ser lésbica. De tanto presenciar tais violações, que muitas vezes culminam em feminicídios, sofridas pelas mulheres que amam mulheres, Simone deixa transparecer o desejo de não fazer parte daquela violência, de não ser uma de suas vítimas. O conflito é tratado com muito cuidado e leva a platéia a sentir a vulnerabilidade enfrentada pela personagem.

A trilha sonora é composta por nada mais nada menos que Angela Ro Ro, Isabella Taviani, Zélia Duncan, Cássia Eller, Ana Carolina, Mart’nália, Leci Brandão, Simone, Adriana Calcanhoto, Marina, Maria Gadu, Márcia Castro e Ellen Oléria.

Elisa Lucinda, em um de seus textos aqui no Jornalistas Livres, disse“Quando Sérgio Maggio, jornalista, escritor, dramaturgo e diretor, me convidou para tanto, o primeiro espanto foi concluir que, em trinta anos de carreira, é a primeira vez que me convidam para interpretar uma mulher que gosta de namorar outra mulher. Que absurdo! Então a ficção está atrasada assim em relação à realidade? Então a ficção ainda está tímida para contar as inúmeras histórias de amor e os dramas que envolvem romances homoafetivos? Então a ficção está desatualizada, é discriminadora, fixando o seu protagonismo somente no amor heterossexual? Então essas histórias não merecem ser tratadas na arte? Ó, ficção, estás desatualizada, sim!” 

Monitorei as redes sociais desde sábado (6), quando assisti o musical, até hoje para ver a reação do público, em especial das mulheres lésbicas. No Twitter muitos tweets destacavam com euforia coisas simples como:

O teatro é também uma forma de expressão social e política do homem, para além da arte ou do entretenimento. Falar sobre o amor lésbico e a lesbofobia sofrida por essas mulheres é preencher essa lacuna deixada por tantos anos, além de ser um posicionamento político de suma importância. Chamar a atenção para a discriminação é salvar vidas.

“A prática da discriminação provoca cortes, desentendimentos, rupturas… A prática da exclusão gera equívocos, distorções da realidade, produz intolerâncias, radicalismos, mortes inexplicáveis, torpes, indefensáveis. Que, não por acaso, são os componentes da guerra.” – Elisa Lucinda

Elisa Lucinda é jornalista-livre e convida à todas e todos para assistir o espetáculo “L, O Musical” que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, até dia 26 de fevereiro. As sessões acontecem de sexta, sábado e segunda às 20h e aos domingos aos 19h.

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