MULHER INDÍGENA PRESIDENTE.

crônica de governo e pluma.

O olhar não faz curvas. Sempre em ângulo reto enxergamos o horizonte e seus redondos, quadrados e quinas. Na visão periférica há plumas. De repente, no escuro dos dias, sente-se o cheiro de urucum, flor de pequi no mato, um cheiro de onça que estranha ronda as cidades e suas torres de vidro.

Não sei se são as tristezas, os sustos diários que nos pregam as notícias ou se vento novo sopra do Norte, algo acalenta e aquece apesar do frio que nos envolve nas noites em fim de primavera.

Sonia Guajajara, a índia, a mulher do mato e entranhas anuncia  sua pré-candidatura à presidência do país. Ah, algo me infla apesar de sonhos terríveis em que se cospem cobras quando logo  se acorda. Índios invadem os lugares comuns determinados a outros, sem vergonha se afirmam e insistem que a terra é de todos, sem a cunha das partilhas que exclui e imiscuem outros.

Nas efusões das vontades e esperanças, creio que tal candidatura lava-nos a alma e o corpo são, os indígenas indicam, nesse vão momento, um vale  fértil para desejos e lacunas. Uma mulher indígena aponta que a vida e uma nação continuarão suas buscas.

http://www.518anosdepois.com/

Imagens por Helio Carlos Mello©

Categorias
crônica
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

AfrikaansArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchGermanItalianJapaneseKoreanPortugueseRussianSpanish