SANDRA PRESENTE!!! NA MOSTRA LUTA

Homenagem à uma das fundadoras da Associação Mulheres Guerreiras que foi vítima de feminicídio

A Mostra Luta, que acontece em vários locais da cidade de Campinas (SP), prestará uma homenagem à Sandra, uma das fundadoras da Associação Mulheres Guerreiras – Profissionais do Sexo, vítima de feminicídio no dia 1º de outubro de 2017.
A homenagem será na quinta-feira, 19 de outubro no MIS ( Museu da Imagem e do Som – Rua Regente Feijó, 859, Centro, Campinas ) a partir das 19 horas.
Sandra foi o nome escolhido por Theresinha Ferreira para exercer seu trabalho. Foi brutalmente assassinada, aos 58 anos, com oito facadas no Jardim São Sebastião em Monte-Mor, região metropolitana de Campinas. O criminoso ainda não foi identificado pela polícia, e, segundo testemunhas do feminicídio, ele usava “balaclava” – conhecida como “touca ninja” – e capacete para evitar o reconhecimento.

Theresinha Ferreira, a Sandra, era mestiça e órfã, descendente da tribo indígena kayapós e de espanhóis, sua família foi assassinada em disputas de terras. Sandra foi traficada aos 12 anos de idade e mantida em cativeiro onde gerou duas crianças que foram retiradas dela.
Após liberta-se do cativeiro e depois de algumas andanças chegou à Campinas. Trabalhou muitos anos no Jardim Itatinga, zona de prostituição na periferia da cidade. Protegia as prostitutas do centro da violência da polícia e era conhecida como: “ Mãe da Rua”. Sandra adotou uma criança cigana que ficou órfã devido à ação violenta envolvendo sua família e policiais no centro da cidade. Também lutava pelas mulheres que trabalhavam como profissionais do sexo em Campinas, e, em conjunto com as mulheres, da região central da cidade, fundou a Associação Mulheres Guerreiras – Profissionais do Sexo.
Sandra foi mais uma vítima de feminicídio, que é o homicídio doloso praticado contra a mulher por “razões da condição de sexo feminino”, ou seja, desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da vítima enquanto mulher.
No Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2015, o Mapa da Violência sobre homicídios entre o público feminino revelou que, de 2003 a 2013, o número de assassinatos apenas em Porto Alegre cresceu 0,7 ao ano.
Em março de 2015 foi aprovada a Lei do Feminicídio, classificando-o como crime hediondo e com agravantes quando acontece em situações específicas de vulnerabilidade (gravidez, menor de idade, na presença de filhos, etc.)

A programação da quinta-feira, 19 de outubro da Mostra Luta

19h- “Direitos Humanos na resistência à indireitação planetária”
Roda de conversa coordenada por Paulo Mariante, presidente do Fórum Municipal de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania de Campinas, grupo Identidade e convidados.
SANDRA PRESENTE!!! – Homenagem a Sandra, mulher guerreira, uma das fundadoras da Associação das Mulheres Guerreiras de Campinas

Mostra Luta
É um evento político cultural organizado por coletivos de comunicação popular de Campinas, que começou em 2008 como uma mostra de vídeos que abordavam as lutas sociais e, ao longo dos anos, passou também a incluir realizações em outras linguagens, como fotografia, quadrinhos, poesia, dança, música, teatro, debates, rodas de conversa, oficinas e saraus.
Em tempos de golpes, a Mostra Luta! reafirma que a luta continua presente nas ruas, nos bairros, nas fábricas, nos sindicatos, nas escolas, nos quilombos e nas quebradas de todo o país, nas muitas formas de luta por direitos, justiça, dignidade e emancipação social.
www.mostraluta.campinas.br

Categorias
CampinasComportamentoDebateDireitos HumanosFeminicídioFeminismomulheresviolênciaVoz das Periferias
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

AfrikaansArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchGermanItalianJapaneseKoreanPortugueseRussianSpanish