A viagem por Lula – Um Relato

Texto e imagens: Laís Vitória Cunha de Aguiar, especial para os Jornalistas Livres.

Laís Vitória, estudante da UnB faz um relato de sua viagem à Curitiba em apoio ao ex-presidente Lula.

-Tem que ter muito amor pelo Lula pra estar aqui, né? –Disse a minha amiga Kátia Garcia, professora de geografia, militante pela causa indígena, depois de mais de onze horas de viagem e diversas paradas inesperadas.

Na primeira parada o espelho retrovisor do ônibus quebrou, e o motorista saiu para procurar pelo espelho-o que demorou um tempo, já que teve de encontrar o espelho quebrado, e depois disso remendá-lo ao ônibus com durex.

Tivemos outras paradas, como passar meia hora esperando por um companheiro atrasado em Goiânia, que não estavam programadas, mas mesmo assim conseguimos chegar a tempo para ver o Lula, defendê-lo com a maior arma da população: a presença.

O ônibus era tão diversificado quanto os eleitores do Lula: MST, Levante da Juventude, indígenas, JPT, PCO, sindicalistas…  Era, enfim, a cara do Brasil e por isso mesmo a noite foi finalizada com samba e cachaça.

Foram vinte horas de viagem: passamos por Goiás, Minas Gerais e São Paulo para finalmente chegarmos ao Paraná. Três estados diferentes.  É muito amor pelo Lula e ao projeto de Brasil que ele representa.

Uma forma de vencer o cansaço, de nos unir, de nos conhecer, foi cantar, tocar, e sambar. As senhorinhas do PT e PCO se uniram a nós, os jovens do Levante, MST, Mídia Ninja, JPT, indígenas, para compartilhar a cachaça e a cantoria.

A minha felicidade, de fato, foi saber que não fomos apenas nós que passamos por viagem tão longa e cansativa, conheci pessoas de Recife, Alagoas, Bahia. Foram 15 ônibus que vieram de diversas partes do Brasil, a maioria organizada pelo PCO, Comitê Contra o Golpe e sindicatos. Todos juntos para conseguir esses poucos ônibus.

O Ian, jovem indígena que vive no Santuário aqui de Brasília, explicou um pouco a importância de defender o Lula para a causa indígena, o motivo pelo qual o levou a passar vinte horas em um ônibus. A Kátia, professora e militante, também relatou suas razões para tão extensa viagem.

Permaneci na manifestação da praça Generoso Marques, onde mais tarde o ex-presidente Lula fez seu discurso ao povo.  Lá encontrei com uma pequena passeata da União dos Estudantes Paranaenses, cuja gestão tinha acabado de ser empossada, e eles saíram da posse para a manifestação.

Uma gestão formada por mulheres, LGBTs, juventude periférica. Uma gestão de esquerda em um estado reacionário como o Paraná.

A diretora das universidades públicas na União dos Estudantes Paranaenses, em entrevista abaixo, afirmou que ‘hoje viemos aqui defender a democracia. A gente acredita que a prioridade do governo deve ser sempre a educação (…) É importante lembrar que a conquista de uma educação superior pública de qualidade foi conquista do governo Lula e Dilma, e a gente não quer perder esses direitos. É por isso que a gente está na rua.’

Não foi uma manifestação única, nem melhor ou pior do que qualquer outra. A questão aqui é perceber que o Lula não foi abandonado pela sua base: as pessoas choram quando ele aparece, riem, gritam, e mais importante: se unem quando necessário, mesmo tendo que sair de seus estados, de suas cidades, de suas casas, de seus trabalhos, de seus estudos. Mesmo em um estado reacionário como Paraná, ainda vi uma senhora tentando entregar um presente ao Lula, em prantos. O Lula ainda está no dia-a-dia das pessoas, nas casas delas. No dia em que prenderem a lembrança do povo brasileiro, prenderão Lula.

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