Juventude Sem Terra participa em peso de vestibular na UFTM

Centenas de jovens dos movimentos de luta pela terra se inscreveram no processo seletivo do curso de Agronomia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Iturama

Por: Luiz Felippe Fagaraz (Brasil de Fato-MG). Fotos e vídeo: Diego Leão (Brasil de Fato-MG)

Neste domingo (04/09), jovens de diversos estados brasileiros viajaram até a cidade mineira de Iturama para concorrer a uma das 50 vagas do curso de Agronomia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM. O processo seletivo contou com cerca de 350 inscritos, sendo que pelo menos 80% destes é de jovens do MST, outros movimentos de luta pela terra e de comunidades tradicionais, como os quilombolas.

Aguinaldo Batista, da coordenação estadual do MST, destacou a importância do curso e da participação de estudantes vindos de movimentos organizados, principalmente para a luta dos movimentos na região do Triângulo Mineiro. Aguinaldo reafirmou a motivação da juventude organizada: “Além de marcha do movimento apoiar os jovens, também serve como uma denúncia pela falta de cursos voltados à juventude do campo. Se abrirem 50 turmas de agronomia no Brasil inteiro para a juventude do campo, a gente preenche todas as vagas e ainda vai faltar lugar. Existe a intenção de fazer bem o curso e depois devolver à sociedade com serviços no campo que possam melhorar a terra e o meio ambiente, rompendo com o agronegócio e o uso de agrotóxicos na produção de alimentos”, concluiu.

O Curso

Por meio de apoio do PRONERA (Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária) o curso de Agronomia da UFTM na cidade de Iturama foi desenvolvido tendo como público-alvo jovens e adultos de assentamentos da reforma agrária.

Apesar dessa importante iniciativa, na prática o que se viu foi uma tentativa de excluir os trabalhadores do campo do processo. Conforme pontua a militante Renata Menezes, do Levante Popular da Juventude e do MST, “os movimentos sociais e toda a população do campo repudiam essa tentativa de afastar a gente das discussões do PRONERA e da educação do campo. Precisamos fortalecer esse processo para que seja cada vez mais participativo, como sempre foi e como era a intenção do PRONERA quando foi planejado e criado”.

Segundo Renata, “o curso é a materialização de um processo que já vinha sendo construído antes. Na região do pontal do Paranapanema, já faz dois meses que a gente está em preparação com a juventude para o vestibular”. Para ela, o compromisso da luta pela terra, também, é um compromisso da luta por conhecimento. “A gente entende que essa é um trincheira, a universidade é um latifúndio que precisa ter as cercas cortadas”, finalizou.

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