“Toda vez que eu estiver no comando, é bomba à vontade”, diz comandante da GCM

Em áudio obtido com exclusividade pelos Jornalistas Livres, o inspetor de agrupamento Cesar Filho elogia ação de seus comandados contra moradores de rua na Cracolândia e faz apologia do...
O inspetor de agrupamento Cesar Filho: "Bombas à vontade" contra dependentes químicos (Foto: Reprodução)

Em áudio obtido com exclusividade pelos Jornalistas Livres, o inspetor de agrupamento Cesar Filho elogia ação de seus comandados contra moradores de rua na Cracolândia e faz apologia do uso da força pela corporação

Por Gustavo Aranda e Vinícius Segalla
Dos Jornalistas Livres, em São Paulo

O inspetor da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo José Aparecido Cesar Filho, que comanda as operações da instituição na Cracolândia, no centro de São Paulo, afirmou em discurso proferido para seus comandados que, enquanto ele estiver no comando das ações da corporação, haverá “bomba à vontade”.

Em seu discurso, cujo áudio foi obtido pelos Jornalistas Livres, o inspetor parabeniza suas tropas pelas ações que realizaram em conjunto com a Polícia Militar na Cracolândia, em abril deste ano. “Parabéns pela representação da firma no QRU (ocorrência) de hoje.(…) Toda vez que eu tiver no comando, é bomba à vontade”, avisa o inspetor. Ouça abaixo:

A ação da GCM que é elogiada pelo inspetor foi muito criticada por autoridades públicas de defesa da cidadania e manutenção da ordem legal, exatamente pela truculência utilizada pelos guardas contra moradores de rua e dependentes químicos que frequentam o local.

Sobre as recentes ações da Guarda, o ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Alderon Costa, afirmou que GCM está se constituindo em uma espécie de “Polícia Militar do município”, o que é contrário à sua função legal, além de cometer excessos e ilegalidades como invasão de residências e agressões despropositadas a cidadãos. “A prefeitura vai, derruba e depois vê no que dá. Não estamos no Estado de Direito mais. Toda a gestão é feita no modelo de polícia repressora, inclusive com o grupo de elite que funciona como a Rota, é tudo muito semelhante”, resumiu o defensor público.

O grupo de elite a que ele se refere é o Iope, Inspetoria de Operações Especiais, exatamente o setor que o inspetor de agrupamento Cesar Filho diz comandar.

Os Jornalistas Livres procuraram a Guarda Civil Metropolitana e enviaram à assessoria de comunicação do órgão o arquivo contendo a fala do inspetor Cesar a seus comandados, para que pudessem explicar em qual contexto o discurso foi proferido e por qual motivo ele defende o uso de “bombas à vontade”.

Abaixo a resposta da GCM:

“Ao contrário do que diz o áudio e a solicitação do jornal, o inspetor Cesar Filho não atua na Inspetoria de Operações Especiais (IOPE) e não assumiu o Comando de Operações Especializadas, uma vez que esta divisão nem existe na corporação. De acordo com o inspetor, trata-se de áudio enviado em abril, em grupo de amigos e a frase sobre a bomba não foi proferida no sentido literal. De todo modo, ao tomar conhecimento do áudio, a Secretaria de Segurança Urbana solicitou que o setor de disciplina do Comando da Guarda Civil Metropolitana verifique o caso e, se constatada alguma irregularidade no ato, encaminhe a questão para a Corregedoria.”

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