Em meio ao caos, professores e alunos da Unimep lutam contra o sucateamento da universidade

Por Isabelle Grangeiro, especial para os Jornalistas Livres
(Foto: Isabelle Grangeiro | Jornalistas Livres)

Na última sexta-feira, dia 04, estudantes da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) ocuparam a universidade no campus Taquaral, em Piracicaba. Com cartazes espalhados pelo campus da universidade com palavras de ordem como “educação não é mercadoria” e “fora rede”, os alunos reivindicaram melhores condições de ensino, autonomia universitária, e se posicionaram contra a Rede Metodista, mantenedora do Instituto Educacional Piracicabano, responsável pela Unimep.

A Unimep é uma das mais populares universidades privadas do interior de São Paulo. Ela conta com aproximadamente 11 mil estudantes em seus quatro campi, são eles Taquaral e Centro, ambos em Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e Lins. Ultimamente, os docentes, funcionários e alunos tem passado por situações de instabilidade e insegurança na universidade. Alunos não conseguem fazer matrícula, coordenadores não têm acesso à gestão de seus cursos, os salários dos professores são pagos com atrasos recorrentes.

A implantação de um novo sistema de tecnologia adotado pela universidade, à revelia dos funcionários que já haviam apontado a fragilidade do programa, conhecido como TOTVS, casou indignação nos alunos, professores e funcionários. “Os alunos não sabiam em quais salas estavam, não conseguiam fazer a inclusão de disciplina, os boletos do mês de julho estavam com problema de geração, os alunos que tinham convênios e bolsas de estudo não tiveram o benefício nos últimos boletos. É um sistema muito frágil, essa é a nossa grande preocupação e reivindicação”, explica Deivid Wesley Marques, presidente da AFIEP, Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano.

(Foto: Isabelle Grangeiro | Jornalistas Livres)

A falha do sistema já prejudicou os alunos da universidade, como no caso da estudante do último semestre de arquitetura, Marielle Vidal, que depois de uma semana do começo das aulas ainda não sabe a sua grade. “É uma situação muito complicada para mim, eu preciso procurar um emprego, já havia falado com o coordenador do meu curso sobre isso, mas agora com essa instabilidade toda e sem acesso aos meus horários, é impossível me candidatar a qualquer vaga”, lamenta a estudante.

Maria Victória Frezzarin, outra estudante de arquitetura,também está sofrendo as consequências da defasagem do novo sistema “Eu não moro na cidade que estudo e devido a falhas do sistema não estamos tendo aula, mesmo assim tive que ir à Santa Bárbara (local onde fica o curso de arquitetura da Unimep) duas vezes para tentar regulamentar a minha situação e foi em vão. Perdi dois dias de trabalho e tive que esperar horas, a secretária estava lotada de gente reclamando que não conseguia fazer rematrícula, pagar os boletos, ou não conseguia ter acesso à grade curricular”. Maria Victória está tendo problemas também quanto aos documentos referentes ao seu estágio. “Não consigo fazer no site, é muito complicado, toda vez que eu tenho que fazer algo relativo ao sistema novo eu tenho que ir à secretária”, explica a estudante.

Segundo Conceição Fornasari, diretora do Sindicato dos Professores de Campinas e região (Sinpro Campinas) e docente da Unimep, osistema de tecnologia fere a autonomia universitária. “Ele veio de cima para baixo, não passou por nenhum órgão, não passou pelo reitor da universidade, foi um grande desserviço à comunidade, tanto professores como funcionários e alunos”, afirmaa professora. Conceição também destaca outra medida autoritária da Rede Metodista, que ameaça demitir o atual reitor da universidade, o Prof. Marcio de Moraes, ao se posicionar contra a implantação do novo sistema.

Devido a situação calamitosa da universidade, professores e funcionários, reunidos em assembleia conjunta, ontem, dia 07, decretaram greve a partir da meia-noite desta terça, dia 08. O Sindicato dos Professores de Campinas e região e Associação de Docentes da Unimep (Adunimep) já havia denunciado a situação de precarização do ensino e condições de trabalhos dos professores, que afetou também a vida acadêmica dos estudantes.

(Foto: Isabelle Grangeiro | Jornalistas Livres)

A greve se dá devido a medidas acadêmicas, administrativas e financeiras que têm sido adotadas pela Rede Metodista em descumprimento às normas internas da Universidade.

Além disso, a universidade desrespeita diversos pontos da Convenção Coletiva de Trabalho: frequentes atrasos nos pagamentos de salários e férias, recolhimento do FGTS, disponibilização do holerite até o 5º dia útil do mês e irredutibilidade da carga horária.

Os estudantes continuam acampados do Campus da universidade e contam com reforços da União Estadual dos Estudantes (UEE), representados pela Diretora de Universidades Privadas da entidade, Nicole Carvalho. Serão feitas assembleias entre os alunos para deliberarem as próximas mobilizações, que contarão com aulas e debates públicos na universidade, como afirmou Nicole.

A greve dos professores segue por tempo indeterminando e a dos funcionários segue até quarta-feira, dia 08. Na data, será feita outra assembleia para definir a continuidade da greve.

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