Ocupação de SEMED em São Luís denuncia atrocidades contra estudantes e professores

Professores prometem sair da SEMED quando o prefeito aceitar negociar

A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de São Luís, Maranhão, está ocupada desde quinta (24/08/17) por professores da rede. O prédio fica no centro da cidade e passa a ser a morada dos ocupantes enquanto o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) se recusar a atende-los, prometem os professores. No total, 250 professores participam da ocupação e, em esquema de revezamento, cerca de 58 dormem todos os dias no prédio.

O movimento de ocupação aconteceu como resposta a uma agressão ao professor Cleison Cardoso, durante uma marcha realizada pelos professores em frente à secretaria. O ato seguia pacífico, saindo da Praça da Igreja São Francisco e chegou na frente da SEMED por volta das 09:00h. Cleison, que estava dentro do prédio, foi impedido de sair por um dos seguranças. Após a tensão, o docente conseguiu abrir o portão, mas foi perseguido pelos agentes e acabou sendo fortemente agredido. Outros professores que acompanharam a cena do lado de fora, resolveram abandonar o plano inicial de darem um “abraço” simbólico no prédio, e em solidariedade ao colega, decidiram então, ocupar a SEMED.

A reação também está ligada à recepção que o prefeito deu a uma outra marcha dos professores alguns dias antes. Na quinta-feira anterior (17/08) os educadores haviam realizado um ato em frente à prefeitura para tentar uma conversa, mas foram recebidos de portas fechadas e grades que impediam a aproximação ao prédio. A reportagem presenciou que a prefeitura permaneceu cercada, pelo menos, até domingo (27/08).

As principais reivindicações dos professores são relacionadas às condições das escolas. As denúncias de abandono com a infraestrutura dos prédios são diversas. O professor Cleison de História, da UEB (Unidade de Educação Básica) Dom Delgado, Vila Cascavel, conta que

“lecionar no ensino público municipal é um grande sofrimento e batalha, porque nós temos uma situação de sucateamento das escolas que tem somente as paredes, mas internamente não possuem infraestrutura tão pouco estrutura pedagógica.”

Cleison conta ainda que “a situação é semelhante em quase todas as escolas e há algumas piores do que outras salas de aula que pegaram fogo e até agora não foram reformadas, outras tiveram telhados desabando sobre professores e alunos, há uma grande diferença entre a propaganda da prefeitura e realidade da refeição servida, por exemplo.”

Já a professora Elisabeth Ribeiro Castelo Branco, presidente do sindicato dos profissionais do Magistério de São Luís, conta que a ocupação, além de demonstrar a solidariedade com o professor agredido, virou uma forma de esquentarem pautas que estão esquecidas desde 2013 pela Prefeitura. Ela relembra que em 2014 houve outra ocupação de professores, na prefeitura, para conseguir negociar com o prefeito

“As promessas conseguidas com essa ocupação [de 2014] foram a reforma de 54 escolas e mais 2,9% de reajuste para os professores. As condições parecem não ter melhorado, pois já em 2017 tivemos uma escola que caiu telhado, parede e um professor foi machucado com uma lâmpada que despencou em sua cabeça.”

Ela acrescenta mais reinvindicações como a entrega de 25 creches, a construção de quadras esportivas nas escolas, a melhora da infraestrutura, da merenda escolar e do sistema de transporte escolar.

Elisabeth conta que os problemas com a infraestrutura são os mais preocupantes, Há escolas com apenas 1 banheiro por unidade, sem dizer que quase 30 unidades ainda não começaram o ano letivo, pois os pais são críticos à infraestrutura e qualidade da escola. Sobre a construção das creches a professora afirma que a cidade recebeu repasses federais, mas que as obras não foram sequer iniciadas.

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