DAS ÁRVORES QUE CONTAM

palavras diversas no corte do mato

Falar de árvores em tempos de crise lembra despropósitos, mas se algazarram as plantas em tempos difíceis e ensurdecem os mais sensíveis. Se gritam é porque o momento ameaça.

A presidência do país anda torta e tudo desemudece. No cu do mundo quer Temer liberar a queda do mato, o uso das pedras, a perda de seus. Vã filosofia a do mandatário que segue em superação de si mesmo, sempre querendo aprimorar a perfídia.

Aqueles que derrubam a floresta, que reviram raízes e deixam a terra livre para mineração e lavoura, não entendem velhas histórias. Me lembro de ouvir história antiga que durante a infância uma menina na aldeia velha conversava com árvores. Fala assim não é no ritmo de palavras, mas aquilo que se diz e se ouve entre copas e raiz rasteira. Mouco som, turbilhão de tons, sons de baixa frequência.

Ouvir árvores, sussurrar entre matos, inferir entre passarinhos e abelhas. Pessoas assim são denominadas pajés, poetas ou malucos, tudo depende da intenção, tolerância e ciência. Difícil acreditar que plantas discursam, mas é fato que tal diálogo se dá entre os enraizados na terra. Contam os Yanomami que uma grande árvore cantava e dançava, sensível ao canto das mulheres, a árvore dos cânticos que em seus galhos sustentava o céu. Do pé-do- céu resta o vestígio do monte Roraima.

Em tempos de crise o presidente venderá as árvores, venderá a mãe talvez até.

Dizem que as árvores falam e as notícias não são boas.

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