Homemzãozinho da porra

Consulta no Senado Federal pretende anistiar Bolsonaro por ofender Maria do Rosário
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Manoel Ramires, especial para os Jornalistas Livres

Sete a um. Não estou abordando a derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha em 2014. Essa doloroso placar que incomoda nosso povo nestes últimos anos. Uma angústia que tomou conta de nós a cada vez que nosso gol era violado. Uma incapacidade de reação diante da tristeza e raiva que dominaram nosso desejo de felicidade. Uma marca que arde na esperança tombada por muito tempo. Desilusão.

“Cala boca! Faça o que eu mando”.

A vergonha de que trato é muito maior. É a vontade de sumir do mundo, de não olhar na cara das pessoas, de se esconder dentro das incertezas, de falar calado e por o assunto em coma talvez para sempre. É a dor que a pessoa sente sozinha porque o comportamento da coletividade não cria mecanismos adequados para dar o próximo passo. Mais do que isso: para evitar que novos casos ocorram impunemente.

“Também, quem mandou usar decote e saia curta. Tava provocando”.

Sete a um é o número de mulheres estupradas no Brasil, de acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Repetindo: a cada: sete minutos e uma mulher é violada. Leva tapa na cara. Abaixa as calças. É pega pelo braço. Enfiam-lhe a rola sem dó. Pior se você for negra, descendente dos escravos, da qual a submissão ao macho, principalmente se for branco, sequer deveria ser contestada. Essas mulheres, as negras, representam 60% dos casos de violência sexual no Brasil em um universo de apenas 10% que chegam ao conhecimento da polícia, nos dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

É assim mesmo, depois melhora…

Pessoas anônimas, desconhecidas , ‘descartáveis’, que observam sua agonia aumentar na medida em que casos de violência sexual ou incentivo a estupro e normalização de agressões são tratados como naturais. É o episódio recente, por exemplo, entre o humorista sem graça Danilo Gentili e a deputada federal Maria do Rosário. Muita gente se divertiu quando o homenzãozinho esfregou nas partes íntimas a intimação extrajudicial que recebia. Coisa de piá de bosta, como dizem no Paraná, de guri que deve ter ereção por amedrontar uma mulher. Pois bem, esse se danou quando o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a retirada imediata do vídeo veiculado nas redes sociais com agressões feitas por ele à deputada.

“O estupro, talvez seja o único crime em que a vítima se torna o acusado”.

Outro “omão sem H” que levou invertida recentemente foi Flávio Bolsonaro. O deputado federal, aprendiz de troglodita verborragico, usou as redes sociais para constranger sua ex-namorada. “Eu começo a ‘entender’ a importância da figura masculina na vida de uma mulher quando minha ex-namorada que já se declara feminista é vista em uma balada LGBT acompanhada de um médico cubano”, expressou a figura sem muito brilho. A resposta de Patrícia Lelis mostrou porque machões são frouxos enrustidos que temem perder o controle sobre as mulheres. “Eu comecei a entender a importância do feminismo quando fui abusada por seu amigo de partido e você me pediu para ficar calada. Eu descobrir que eu sou dona de mim, descobrir que sou um ‘mulherão da porra’, e quando descobri isso, você ficou com medo. Moleques não aguentam mulheres fortes”, sapateou na cara. Voltando ao futebol, Bolsonaro filho é tipo aquele perna de pau que leva uma bolada entre as pernas e dá canelada. Não aguenta jogar, camarada, finge contusão e vai beber leitinho.

“O estupro é um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres debaixo do medo”.

Porém, ninguém se compara ao líder dos covardes nacionais, Jair Bolsonaro. O sujeito que quer presidir o Brasil para reduzir ainda mais os salários das mulheres porque engravidam, que teve cinco filhos, sendo quatro homens e uma fraquejada com uma filha, que quer ser orgulho da tropa, mas não consegue pagar dez flexões. Eis que esse deputado disse que a deputada Maria do Rosário era tão feita que não merecia ser estuprada. Argumento que só reforça o constrangimento das que sofrem quando “mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro”, de acordo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A declaração dele gerou uma queixa na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal. Em maus lençóis e com medo de perder para uma mulher, agora pede anistia. A sugestão nº 11, de 2017 que conta com incríveis 55 mil votos defendendo Bolsonaro e 28 mil pedindo que ele arque as consequências do que falou (consultado em 17 de julho, às 14h40) alega que a representação “configura-se uma covardia institucional contra o Deputado”. Juntando 70 mil assinaturas, o documento afirma que “o deputado querido por milhões de brasileiros apenas soltou essa declaração depois de ser caluniado ou difamado pela dona Maria do Rosário”.

Pensamento típico daqueles que se acham fortes pela truculência. No entanto, como observa Augusto Cury, “os fortes usam as ideias, enquanto que os fracos, as armas”. E todos sabemos o que Bolsonaro e afins defendem.

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