IPCA: preços não sinalizam crescimento econômico

Desconto na energia elétrica de abril é responsável por quase todo IPCA de maio
Foto: Caio Coronel / Itaipu Binacional

A informação de que o IPCA de maio foi de 0,31% acendeu uma ponta esperança de termos, de fato, estancado a queda da atividade econômica e entrado em recuperação. Isso por que ainda não há sinais evidentes da volta do crescimento no emprego, no comércio varejista ou na indústria. O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2017 ainda precisa ser referendado por outros indicadores.

O IBGE divulgou hoje (09/06) a subida de 0,31% nos preços para os consumidores, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, poderia ser uma boa notícia: um sinal de que a recuperação econômica está mesmo acontecendo, pois até os preços, quem em abril subiram 0,17%, resolveram reagir.

No entanto, ao analisar os aumentos individualmente, concluímos que a energia elétrica foi responsável por praticamente a totalidade desse índice de inflação. Como tinha ocorrido um desconto na energia elétrica em abril, que não se repetiu em maio, seu retorno ao “preço normal” foi responsável por 0,29% desse índice de 0,31%, incluídos todos os itens da cesta de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Em outras palavras, sem as tarifas de eletricidade, a inflação de maio teria sido 0,02%, quase zero.

Os alimentos, os artigos de residência e os transportes apresentaram deflação, os preços caíram em maio. O preço da educação e da comunicação ficaram quase estáveis, aumentos de 0,08% e 0,09%.

O índice acumulado em 12 meses, de junho de 2016 a maio de 2017, acumulou alta de 3,60%. Bem abaixo da meta de inflação de 4,5%. Nos 12 meses terminados no mês passado, o IPCA tinha subido 4,08%

Não há, assim, pelo lado dos preços, sinal de que estamos em rota de aquecimento da atividade econômica.

Veja o comportamento dos preços do grupo dos alimentação.

Preços que caíram:

Item

Variação (%)

Variação Acumulada
(%)

Abril

Maio

Ano

12 meses

Frutas

-0,79

-6,55

-7,94

-7,61

Óleo de soja

-4,17

-6,30

-3,54

-2,51

Cenoura

-0,71

-5,86

20,53

-33,04

Feijão-fradinho

-0,82

-4,45

-7,44

29,55

Feijão-preto

-8,29

-3,66

-29,84

5,16

Tomate

29,02

-3,14

30,23

6,67

Açaí

2,45

-3,04

22,85

-11,99

Hortaliças

0,79

-2,51

8,92

-11,44

Pescado

1,10

-2,31

5,01

10,15

Açúcar refinado

0,00

-2,18

-4,17

1,08

Arroz

-1,69

-1,98

-5,41

5,59

Açúcar cristal

-2,73

-1,79

-7,17

3,20

Frango inteiro

-0,64

-1,32

-6,49

-0,71

Farinha de mandioca

0,37

-1,31

7,68

18,25

Leite em pó

-0,84

-0,78

-2,57

18,15

Iogurte

-0,22

-0,73

0,94

7,32

Chocolate e achocolatado em pó

0,88

-0,68

2,50

8,11

Pão francês

0,36

-0,67

0,69

2,09

Margarina

-0,32

-0,63

3,54

4,39

Preços que subiram:

Item

Variação (%)

Variação Acumulada
(%)

Abril

Maio

Ano

12 meses

Cebola

6,03

7,67

7,27

-48,12

Batata-inglesa

20,81

4,28

15,03

-45,91

Alho

4,83

3,44

4,34

-5,31

Feijão-carioca

-1,64

3,29

-28,90

-22,03

Chocolate em barra e bombom

-2,92

2,75

-2,24

6,57

Leite longa vida

1,25

1,87

6,87

4,24

Pão de forma

1,26

1,44

6,04

6,82

Café moído

2,65

1,00

9,06

22,34

Pão doce

0,15

0,90

1,69

4,37

Queijo

0,97

0,83

1,88

10,25

Ovos

4,03

0,73

11,67

13,09

Frango em pedaços

1,30

0,57

-0,51

0,86

Refrigerante fora

0,33

0,52

0,83

5,97

Para ver a publicação do IBGE: http://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/10182-ipca-fica-em-0-31-em-maio.html

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