Lula em Curitiba: Reinaldo Azevedo e o cagaço da direita

Ele disse que o ex-presidente saiu vitorioso da audiência, que a condução coercitiva foi ilegal e ainda sugeriu que o juiz Sérgio Moro agiu de forma política. Os ratos acordaram e estão desesperados pelo convés
Foto: RICARDO STUCKERT / Instituto LULA

Antes de qualquer coisa, preciso esclarecer que este texto não é uma ameaça ao colunista da Veja e da Folha de São Paulo que acumula um histórico persecutório de acusações de ameaças de morte. Nunca fui pessoalmente ofendido por ele, a não ser em meu intelecto. Então, caso o próprio Azevedo leia este texto, deixo de pronto: não é nada pessoal!

O Brasil acompanhou atento o primeiro depoimento do presidente Lula em Curitiba – PR. Milhares de brasileiros e brasileiras compareceram de vários lugares do país para uma demonstração de carinho e apoio a Lula, e às conquistas sociais feitas e às verdadeiras reformas populares que tanto esperamos. Os Jornalistas Livres estiveram no meio da multidão fazendo mais uma das grandes demonstrações de jornalismo decente e honesto [e não é porque faço parte da equipe, pois não faria se assim não fosse!].

Não pude ir e, como muitos brasileiros, tive que me deparar com a cobertura predatória desta grande mídia que não perde por esperar… POR UMA REFORMA DEMOCRÁTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO!!!… Enfim, recompondo-me dos meus arroubos progressistas… Entre tantos canais de televisão que comentavam a audiência de hoje (sem efetivamente terem tido tempo de assistir à íntegra), a presença de uma certa figura me chamou a atenção: Reinaldo Azevedo.

Perto de Boris Casoy, “que comunistão da p***” ele nos parece! Entre um comentário ou outro disse que desejava ver o Lula preso, mas que para isto deveriam haver uma condenação em juízo pautada em provas que, por sua vez, ainda não existem. Sim, ele falou que não há provas de que o Tripléx é do Lula!

Foi o REI-NAL-DO A-ZE-VE-DO!

Estou impressionado?! Não! Até um relógio parado acerta as horas duas vezes por dia.

Não satisfeito (para horror dos âncoras cujas caras afundavam na bancada), seguiu afirmando que Lula saiu vitorioso nas ruas e da audiência; e que a condução coercitiva de Lula foi ilegal e ainda sugeriu que o juiz Sérgio Moro agiu de forma política, inclusive ao perguntar a opinião do Lula sobre a AP 470 (mensalão!).

[Fontes não oficiais disseram que Azevedo pegou da mesma gripe de Olavo de Carvalho. Mas admito: tenho apenas convicção, não posso provar!]

Não se enganem com estes picaretas ex-trotskistas. Eles não estão voltando às fileiras da Internacional. Apenas estão se dando conta do perigo devastador que o proto-fascismo de MBL e companhia representa para as instituições democráticas que uma parte da direita jura defender. Numa série de ataques coordenados, da qual são vítimas midiáticas, estão perdendo espaço para o que há de mais perigoso no atual cenário político.

A direita, como há muito tempo percebemos, não é coesa. Ponto para nós! [Mas a esquerda também não: ponto para eles!]. As soluções mágicas para a economia não estão vindo; os abusos do aparato penal só se agravam [agora que não pega apenas pobres não está tudo bem!]. Eu não duvido que ALGUNS estejam com medo do monstro que eles mesmos engordaram nos últimos anos. A extrema-direita ameaça destruir a existência de setores mais moderados – ou covardes- da direita. Medo legítimo para conservadores defensores do status quo. Infelizmente, a maior parte da direita prefere continuar cavando a sua própria cova.

E o Lula nesta história?

Lula segue se defendendo e sendo defendido, por valorosos advogados nos tribunais e por valorosos trabalhadores nas ruas. Mas nada será como antes neste país. Lula ainda não é o presidente que a cada dia se espera que ele se torne em 2018. Ele é o acúmulo de forças que tencionam o PT, e ele mesmo, mais e mais para a Esquerda. Esta força são os trabalhadores e trabalhadoras; os movimentos sociais; os sindicatos; e até parte da Igreja.

A cada discurso do presidente Lula este acúmulo se apresenta. Ataca o fascismo de Bolsonaro; as mentiras dos grandes meios de comunicação burguesas; a violência contra os povos indígenas; o projeto Escola Sem Partido… E se coloca contra as reformas burguesas e ao lado das reformas populares.

O Brasil segue se transformando (por enquanto para pior). Lula se coloca como a única alternativa concreta contra o projeto de extrema-direita que emerge no mundo. Sei que ele não é o que uma parte da esquerda sonha, mas sejamos pragmáticos: não podemos permitir que o segundo turno entre 2018 seja entre a direita e a extrema direita. A esquerda não pode ser voyer num segundo turno entre direito e extrema-direita, como ocorreu na França. Não por moralismo: mas não curto este tipo de safadeza. A situação é grave demais para ficarmos de manha: abrace o Lula para não recebermos o “beijo da morte” da extrema-direita!
A política, segundo Hannah Arendt, em A Condição Humana, está atrelada aos princípios da “irreversibilidade” e “imprevisibilidade”. Cada ação política desencadeia uma série de reações impossíveis de prever e reverter. No nosso contexto, o Golpe contra o governo Dilma foi a ação central que englobou tudo o que a esquerda não pôde reverter, mas que por outro lado setores da direita não podem controlar. O “Governo de Salvação Nacional” se mostra incapaz de prestar contas pelos próprios “pecados”, se usarmos suas próprias metáforas teológicas. A extrema- direita cresce a partir deste caos e descontrole que assolam as instituições políticas nacionais e internacionais. As consequências se revelam no nosso presente impondo um pessimismo quase generalizado. Mas não podemos adivinhar o futuro.

A única possibilidade diante da “imprevisibilidade” das ações políticas é, segundo a própria filósofa, o “poder de promessa”. Pensar no que queremos para o futuro e estabelecer um pacto – não entre políticos, mas cidadãos – a fim de ter algum controle sobre a direção das nossas ações, que por sua vez devem ser feitas em conjunto. Pacto é relação!

Atualmente, quem oferece esta “promessa” (não propaganda eleitoral!) é o projeto a qual Lula está inserido. As promessas não são invenções dele, mas o acúmulo de reivindicações de base, a respeito do futuro que queremos para nós. O que queremos a partir de 2018? Mais do que construir uma candidatura, é necessária a construção de um programa de governo popular.

A direita sabe que seus direitos e garantias fundamentais estarão muito mais bem resguardados com a Esquerda no poder, mas jamais vai admitir para si mesma. A Extrema-Direita não oferece segurança para ninguém, pois se rege pela lógica do Terror. Direitistas não podem confiar na própria estirpe (e com razão)! Isto não significa que a esquerda pode dar a mão para a direita “moderada”. Aqueles que querem lutar apenas pela própria sobrevivência não podem governar segundo princípios de liberdade política, pois a necessidade é o caminho para a violência. O medo na direita é algo a se atentar: pode ser um sinal de lucidez ou de perigo. Tudo depende das escolhas que tomamos diante de situações que não podemos controlar. Michel Temer e seu governo segue desgovernado rumo ao precipício, e o “precipício fascista” o chama para si.

Os ratos acordaram e estão desesperados pelo convés. Não vamos ser a banda que toca em enquanto o país afunda!

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